Waterboys

Dirigido por Shinobu Yaguchi, Waterboys é outro filme que não fariam aqui. Meu professor de cinema brasileiro disse que nós nunca faríamos um Oldboy - e é verdade - não porque não temos como, mas simplesmente porque ninguém quer. Oldboy é bastante simples, apesar do roteiro complexo, tem poucas locações e não parece ter custado muito. Ninguém faz porque, bem, Walter Salles e Fernando Meirelles que não vão fazer, porque fazer algo minimamente divertido é um crime para com os pobres e os colegas críticos.

Waterboys não é Oldboy, não é nem 1/3 Oldboy e mesmo assim nunca fariam aqui. É uma comédia japonesa de 2001 sobre um time de nado sincronizado masculino. Não tem absolutamente nada demais no filme, nada que seria impossível de se tentar fazer com poucos recursos. O problema principal de conseguir chegar perto de Waterboys por aqui seria o humor.

Humor brasileiro invariavelmente cai na pornô-chanchada - nada contra a pornô-chanchada, é um gênero legitimamente comercial e não-Central-do-Brasil, mas não dá pra ser o único tipo de senso de humor. Convivo com tantas bundas diariamente que sempre que preciso me referir a uma uso "bumbum", pra variar um pouco.

Exemplo de piada do Waterboys: Suzuki coloca uma moeda na máquina de refrigerantes, a máquina engole a moeda e não devolve nenhuma latinha. Suzuki fica bravo, dando uns soquinhos na porta e quando está quase pra ir embora, uma garota aparece do nada, voando pelo ar e dando um chute de caratê na máquina, perto do rosto de Suzuki. "Precisa fazer com jeitinho", ela diz dando a latinha pra ele. É inofensivo, físico, qualquer um entende e não custa nada.

No final das contas, Waterboys é um filme descomplicado que serve pra mostrar garotos de tanguinha, ok, mas é muito, muito engraçado mesmo e bem feito. Por que não pode ser feito aqui?

Oi, oi. Muitas coisas aconteceram. A razão deste ser quase que abandonado é, na verdade, que mudei de computador e fiquei com preguiça de ir atrás da senha para usá-lo lá. Estou só de passagem, aqui, no computador velho. Obviamente, vi muitos filmes nesse interim e já nem tenho como recapitular tudo. O destino deste é desconhecido.

Mas, tá, vejam 300, amem o Gerard Butler, ignorem todo o resto.  

Aso

É uma pena que eu me sinta muito mais estimulada intelectualmente lendo blogs do que indo à faculdade. Por causa dessa frustração (e de preguiça também), deixo um pouco de querer ver filmes ou, pelo menos, falar sobre eles. Prefiro falar dos filmes que gosto dos do que os que não gosto e é tão raro encontrar os bons. Pra começar, dificilmente, algum filme bom vai estar passando na tevê, assim, gratuitamente. Filme bom você tem de ouvir falar sobre em algum site obscuro e entrar numa comunidade secreta e baixar por cinco dias ou mais e usar uns sete gigas de espaço. Estou generalizando, é claro. Esses dias, tava passando Corpse Bride e é adorável e tão sofisticado e tão acessível para crianças ao mesmo tempo que uma lagriminha me vem no terceiro olho. Mas o resto, o que passa quando a tevê está ligada, e está sempre ligada, são filmes com, sei lá, Hilary Duff. Uma das piores coisas que já vi na vida, vi por acaso. Era um filme grotesco com a Jenny McCarthy e com uma cameo maravilhosa da Kathy Griffin. Aliás, acho que quase todas as piores coisas que vi, vi por acaso. Eu não iria atrás delas normalmente. Ainda não perdi dias de download por filmes completamente horríveis. Só meio horríveis, mas, pelo menos, com um ou outro elemento mais interessante, como Freeze Me - que atriz horrível!

Mas enfim, vejam Apocalypto. Ando atualizando o outro blog, então, não os abandonei completamente e volto assim que minha depressão de bolso passar e quando eu me acostumar com o fato de que as aulas voltaram e quando eu ver mais filmes bons e resolver falar deles e assim por diante.

Apocalypto

Wes Anderson ou Jim Jarmusch não devem ganhar um Oscar. Vincent Gallo, definitivamente não deve ganhar um Oscar. Não quero dizer que eles não vão ou não merecem nunca ganhar, eles não devem, não faria bem algum. Eles devem continuar alternativos e indies e hipsters, eles devem continuar a escolher pequenas histórias de quase nenhum interesse comercial e simplesmente fazer o que ninguém mais faz.

Por mais que Broken Flowers seja um filme querido, ele jamais deveria ganhar um Oscar. Seria uma anomalia. Não que Crash mereça, mas, enfim, não quero voltar a falar disso.

Um filme merece um Oscar quando é capaz de ser visto por muita, muita gente e surpreendentemente ainda ter alguma qualidade. Precisa ser grande, uma grande história com grandes personagens e grandes atuações e grandes momentos. Precisa ser um clássico. 

Os últimos, não sei, quatro ou cinco filmes premiados pelo Oscar não são clássicos. Tanto que nem me lembro deles. Chicago?

Obviamente, alguma coisa deu errado com os Oscars. Todo ano, o melhor filme vai ficando pior e pior e pior e nada memorável, chegando ao ponto de ser completamente inassistível. Se, em algum universo paralelo completamente livre de Oliver Stone, os Oscars tivessem se mantido consistentes por todo esse tempo, uma boa evolução do que o prêmio realmente deveria representar hoje seria Apocalypto.

Sim, é bastante violento e, nesse sentido, um pouco alternativo demais pra um Oscar - que não vai ganhar mesmo já que nem foi indicado e jamais seria depois do ataque todo de anti-semitismo bêbado - mas é preciso evoluir um pouquinho, não?

Apocalypto é gigantesco. Senti vertigem do topo daquelas pirâmides e algumas das imagens são feitas de puro pesadelo. Mesmo assim, é uma história nobre e grandiosa, perfeita para um Oscar másculo e não pussy.

Além disso, você tem areia movediça. Falta areia movediça no cinema, de verdade. Pararam de filmar pessoas afundando em areia movediça sendo milagrosamente salvas por cipós - ah, sempre os cipós - para mostrar problemas sociais não sei pra quê. Qualquer areia movediça besta é mais artística e cheia de significado intelectual e metafísico do que um punhado de pobre bem pobrezinho.

Faz tempo que eu não me importava tanto com um protagonista e, o mais sensacional, é que trata-se de um protagonista que não me fornece o mínimo de possibilidade para eu me identificar com ele, de qualquer forma. Ele não está exatamente passando por algo que eu vivenciei, não somos remotamente parecidos. Eu nunca vi nenhum daqueles atores antes na minha vida, eu não entendo o que eles dizem, não há razão alguma para eu sentir simpatia e, mesmo assim, acontece - não é legal?

Eu sou completamente a favor de quase tudo que é improvável. Apocalypto, como idéia para um filme, é improvável e, não só isso, é bom.

Mel Gibson ganhar qualquer prêmio daqui pra frente é bastante improvável. 

 

Porque, entre outros motivos, gosto de Vincent Gallo

‘Why are nearly all Hollywood actors and actresses liberal?

The thirst for fame is based on an unquenchable need for admiration. This thirst drives many people to Hollywood, in search of the love they so desperately crave. This adulation, however is never enough. Meanwhile it is this same need that drives all people to become liberals. When one becomes a liberal, he or she pretends to advocate tolerance, equality and peace, but hilariously, they’re doing so for purely selfish reasons. It’s the human equivalent of a puppy dog’s face: an evolutionary tool designed to enhance survival, reproductive value and status.

In short, liberalism is based on one central desire: to look cool in front of others in order to get love. Preaching tolerance makes you look cooler, than saying something like, "please lower my taxes." This is why the only true form of rebellion left on this planet is conservatism. Conservatism, by rejecting the trademark forms of romantic rebellion (anarchy, activism, nipple rings) turns out to be far more subversive than anything on the planet. The conservative, every day, knows that he or she says things that aren’t considered cool among the media elite. Yet the conservative still comes out and says it. This is why, Dick Cheney is closer to the Hell’s Angels than Hunter S. Thompson ever could be.
And why Jon Stewart is about as daring as a diaper filled with Nilla Wafers.’

 

Daqui. Via Libertas

Alphaville

Fui ver Alphaville na Cinemateca ontem à noite. Grande aglomeração de óculos e cachos e barbas. Eu sou praticamente a única de cabelo liso, sem óculos e sem barba. Pedi uma coca-cola e uma esfiha de carne no café e me senti meio esquisita, imaginando que me olhariam feio por inúmeras razões comunistas e vegans. De alguma forma, não me sinto à vontade com esse tipo de público assim como não me sinto bem com os adolescentes discutindo se era "facho" ou "feixe de luz" na fila do Borat. Ainda não descobri um público ideal (e, sim, parte de um bom filme é um bom público) mas Alphaville.

No meu círculo de amigos, todos sabemos que Godard é um cretino e somos todos do time Truffaut. Mas tentamos, de vez em quando, assistir alguma coisa de Godard, principalmente se for antigo, e também para poder falar mal.

A sala de exibição está cheia. Uma faxineira traz cadeiras de plásticos para colocar nos corredores. Estive em quase todos os dias na mostra de filmes do Truffaut do ano passado e nunca, nunca, ficou cheio daquele jeito. Uma pena.

Mas tá. O filme começa com essa lanterna piscando - imagino Godard querendo criar uma experiência no cinema e dou um sorrisinho esnobe, mas ok. Cortes experimentais que me deixam insensível. Pretensa coolness de um homem cujo rosto é iluminado ao acender um cigarro na boca (entendo porque os criadores de Cowboy Bebob gostam de Godard) e é basicamente isso que há de bom em Godard e foi eliminado completamente com o passar dos anos: A tentativa de fazer algo legal com agentes secretos e detetives e armas e casacos e garotas. Penso que se eu pudesse viver em qualquer universo, eu escolheria essa coisa francesa policial thriller dos anos 60 - mas por motivos estéticos, sem política alguma ou qualquer outro conteúdo muito sério.

As pessoas dão risada em momentos que não pedem por risadas (geralmente, quando as manobras nas cenas de luta não dão muito certo, mas eu aprecio o esforço).

Não ligo muito pra Alphaville em si, como ela funciona, o que ela faz com as pessoas, o quão parecida essa sociedade é com a nossa e bla bla. Eu quero cenas de lutas com homens de chapéus e casacos e palitos de dente na boca (faltou palitos de dentes na boca). 

Existem cenas bem frenchy em que Anna Karina fica passando as mãos na frente do rosto de Eddie Constantine enquanto eles encaram a câmera com seriedade de comercial de perfume. É bem bobo. Grande parte da aplicação do experimentalismo daquela época, hoje, se resume a isso: comerciais arty de perfumes de Yves Saint Laurent, Jean Paul Gaultier, you name it.

Apesar desses momentos estranhos, gosto de qualquer filme futurista em que as pessoas usam roupas normais, gosto de agentes secretos e da voz de sapo do Alpha 60. No geral, é bonzinho, eu acho. 

Stranger Than Fiction

Bom filme, de verdade. Teria o potencial de ser um favorito, like, ever, mas ficou um pouco (bastante) longe de conseguir.

Gosto de como você se acostuma com pessoas pegando ônibus e como fica claro imaginar a cidade em que eles vivem como se você estivesse passando um tempo lá. Gosto das interfaces (minha amiga designer diz que se chama interface) com números e traçados geométricos.

Esperava um pouco mais do Will Ferrell, um pouco mais do Dustin Hoffman (porque gosto deles). Maggie Gyllenhaal faz Maggie Gyllenhaal. Não entendo a conexão entre a Queen Latifah e a Emma Thompson - quero dizer, entendo, Queen Latifah deveria ser o Morgan Freeman, o negro(a) que guia o branco(a) para o caminho da iluminação através da amizade, mas esse relacionamento nunca acontece de verdade. Emma Thompson está um pouquinho maluca demais. Nem todos escritores em crise ficam daquele jeito. Aposto que Salinger não é daquele jeito.

A coisa mais interessante no filme todo é quando Emma Thompson (não estou estragando nada) percebe que foi cruel com seus personagens, agora, pessoas reais. Talvez fosse mais interessante explorar esse lado da história, a escritora que literalmente dá vida, do que a criatura  que se descobre personagem. De qualquer forma, a mensagem (me sinto besta falando mensagem) do filme é bastante boa e querida e vou tentar me lembrar dela para todo o sempre: Cuide bem das suas criações.

Irritando um leitor

Feliz aniversário, Takeshi Kitano!

Alguns comentários sobre Getting Any? e Takeshis mais tarde.

Preciso alugar Snakes on a Plane

Eu já estava quase morrendo de sono quando os Golden Globes começaram. Quase todas premiações são chatas, ninguém rejeita os prêmios, ninguém aparece pelado correndo pelo palco, mas tento acompanhar todas elas desde que Angelina Jolie usou um vestido branco em um dos Oscars. Ela ainda era a maluca do tipo que carregava sangue alheio e desconhecia o Cambodia completamente. Bons tempos..

Enfim. Fiz muito esforço para ignorar a voz do Rubens Ewald e tentar ouvir as vozes originais. Nunca me esforcei tanto pra ouvir o Justin Timberlake.

Tentei olhar bem pro rosto da filha do Jack Nicholson, Alguma Coisa Nicholson, e procurei por sobrancelhas e sorrisos satânicos em vão.

Depois que Meryl Streep ganhou, pensei que mais nada de muito diferente iria acontecer, me virei e dormi. Já falei pra vocês da minha idéia para uma biografia do Jerry Lewis em que ele é interpretado pela Meryl Streep? Coisa de Oscar.

Hoje de manhã, fui ler os resultados e fiquei triste por não ter visto o discurso do Sacha Baron Cohen. Fora isso, fiquei levemente contente por The Departed não ter ganho - não vi o filme, não quero muito ver, prefiro o chinês e ah, perdi a paciência com o Scorsese.

De qualquer forma, se os Golden Globes ditam mais ou menos como vão ser os Oscars, mais um filme premiado que não verei: Babel.

Não vi Crash e nunca verei. Eu só veria Babel se tivesse oompa loompas nele.

A medida que se avança cronologicamente, há nos filmes premiados com o Oscar um padrão crescente de pussification, de filmes politicamente conscientes, preocupados socialmente, discussões que levantam questões importantes e fazem as perguntas difíceis… São filmes cujo espírito e esforço é equivalente ao de uma primeira-dama de um presidente loucamente liberal - desde quando isso é cinema? Eu não aguento mais.

Estou contente porque Clint Eastwood foi quase que ignorado. Ganhou com Letters from Iwo Jima na categoria de melhor filme em língua estranheira - wtf? - mas Flags of Our Fathers morreu, graças a Deus. Clint Eastwood tem sido a própria Hillary Clinton desde Mystic River (que não passei da cena do Sean Penn gritando e babando sendo segurado por policiais e não quero passar).

 

Planejo nunca ver na minha vida:

Letters from Iwo Jima

Flags of Our Fathers

Million Dollar Baby

Mystic River

Munich 

Crash

Babel

An Inconvenient Truth

The Constant Gardener

United 93

World Trade Center

 

 

Filmes que aguardo ansiosamente:

Planet Horror

Death Proof

Black Snake Moan

The Fantastic Mr. Fox

Darjeeling Limited

Sukiyaki Western Django

Sweeney Todd

Die Hard 4 (qualquer coisa que traga Bruce Willis de volta)

Indiana Jones 4 (qualquer coisa que traga Harrison Ford de volta e mantenha Spielberg longe de Munich)

Bond 22

 

Existem diferenças entre uma lista e outra, certo? Diga o que quiser, os nomes da segunda lista se parecem muito mais com nomes de filmes do que os nomes da primeira. 

Tetsuo

Tetsuo seria perfeito pra mim. É um cult de baixo orçamento, é experimental, é japonês e, principalmente, esquisito. Posso dizer que o filme é ok mas que não é exatamente my cup of tea? (posso, é claro)

Não, não. Não estou dizendo que ele não tem todos os pré-requisitos necessários para chamar a minha atenção. Não estou dizendo que o filme não é um cult de baixo orçamento, experimental, japonês e esquisito - e não estou dizendo que ele não é bom. Estou dizendo que nha.

As influências de mangá são ótimas, o stop-motion é legal e tal, mas nha. 

Essa visão pessimista pós-moderna Cronenbergiana da tecnologia suprimindo a humanidade e tal já está meio passé, não? Fora de contexto, digo, assistindo o filme em 2007, é meio bobo uma personagem dizer "o futuro é metal", explicando verbalmente o conceito inteiro do filme, você sabe, caso você não tenha entendido a imagem de um homem literalmente se tornando uma máquina.

Mentira, o futuro foi acrílico. Ou plástico. Não me lembro. Já faz tanto tempo.

Mesmo que as máquinas tomassem o controle, eu imagino que tudo seria limpinho e lindinho como um iPod. E eu realmente não acho que seria tão terrível assim se os iPods dominassem a Terra. 

 

Borat e as piores pessoas do mundo

Consegui assistir Borat ontem à noite no "noitão" do HSBC Belas Artes. Um "noitão" acontece uma vez por mês, começa sempre à meia noite e continua exibindo filmes pela madrugada toda até o café da manhã para aqueles que conseguirem resistir. Sempre há um tema e ontem era "os malucos estão a solta" ou alguma nome bobo assim.

Muitas pessoas, muitas filas, muita espera, muitas conversas horríveis. E, ah, a garota que ficava batendo na minha mochila… Ela não podia manter uma distância de mim na fila? Ela tinha que tentar escalar a minha mochila? Enfim.

Compramos ingressos às onze e fomos até o super-mercado comprar lanches para não ter de pagar cinco reais por uma barra de chocolate. Todo Pão de Açúcar 24h da cidade só está aberto e lucrando graças aos adolescentes bêbados. Era um inferninho. Saímos de lá o mais rápido possível e fomos pegar fila pra sala, que já estava formada mas ainda não enorme. Lá, ouvi:

 

- Nossa, tô debaixo de um facho de luz aqui que parece o Sol, viu…

- É "feixe" de luz, não "facho".

- É "facho", ow.

 

 

O que me confortava era a garota na minha frente que estava lendo algum livro em alemão. Poderia ser Rubem Fonseca em alemão, mas eu espero que não. 

Escolhemos bons lugares depois de mudar por causa de um grupo muito barulhento que sentou atrás da gente, mas, pff, ouvimos besteiras mesmo assim. Fragmentos, aqui:

 

- O Borat é do Cazaquistão, mas ele não é mesmo, sabe? Ele é americano (não, não é), ele fica tirando onda.

- Eu acho que vi ele no MTV Globe Awards…

- Um altão com um bigodão?

 

 

- Tava vendo… (não entendi se era um livro, um programa de tevê ou o quê)… um francês falando do Hitchcock, que ele tinha trabalhado com ele e tal (François Truffaut?)…

- Ah, Hitchcock fez o quê? Psicose, Os Pássaros e só…

- Mas, ow, Psicose é animal pra caramba.

- Vai sair Psicose remasterizado, né?

 

 

*Suspiro* Antes de Borat, passaram um filme do Jerry Lewis. Assim que as luzes diminuíram e o filme começou, ouvi alguém no fundo do cinema:

 

 

- EM PRETO E BRANCO? QUE RAIO DE FILME É ESSE? 

 

 

Bastante bom o filme do Jerry Lewis, pelo menos, o que deu pra ver. O filme estava numa condição tão horrível que algumas boas cenas estavam completamente cortadas e perdidas. Agora, pense comigo. Jerry Lewis não é tão velho assim… É que o Brasil estraga os filmes mesmo, assim como as pessoas.

Boa parte dos comentários durante os filmes, do começo ao fim, se limitavam às legendas velhinhas:

 

- Afe, "consigo".

- "lhe amar", haha.

- "Quizer", com z!

 

 

E, finalmente, o momento em que o cinema inteiro veio abaixo:

 

 

- "LUNCHE!" MEU DEUS! 

 

 

Sabe, português velhinho é realmente engraçado, mas existe um momento que passa, sabe? Mas não. Uma hora e meia desse tipo de comentário.

Mas tá, Borat.

É ótimo, verdade, ótimo. Algumas reações ao que Borat faz parecem muito ensaiadas, mas outras são completamente naturais e perfeitas.

É tudo tão absurdo que alguns momentos podem parecer ter ido longe demais, mas essa é a idéia do filme, ir longe demais, ser absurdo.

Fiquei com vontade de não ter visto todos os trailers e cenas no youtube porque estraguei pra mim mesma algumas das melhores piadas, mas, mesmo assim, assisti algumas cenas que eu realmente não estava esperando e acho, acho que quero ver de novo.

O único problema é o público. Quando Borat vai em um rodeio no sul e diz, "posso dizer que vocês suportam a guerra contra o terror?", a garota sentada atrás de mim:

 

- Ah, se fuderam!

 

Se fuderam por quê, retardada?

Borat não é anti-americano, por mais que possa parecer, ele nunca diz nada anti-americano e a grande maioria das pessoas que aparecem são mais do que gentis, são santas. Eu realmente não acredito que exista uma agenda nas opções que ele faz sobre com o que brincar, mas que ele tem apenas a intenção de ser completa e aleatoriamente absurdo. Ele não é Michael Moore, mas, infelizmente, o público de Michael Moore vai adorar. 

 

P.S.: Não, eu não resisti até o café da manhã. 

Black Snake Moan

 

Estou ficando crescentemente empolgada com Black Snake Moan. Depois de ver o trailer, o poster e ouvir as músicas do próprio Samuel L. Jackson, eu só quero que eu possa ver o mais rápido possível. Eu até e fiz um teste do site oficial pra saber se sou uma ninfa - não sou.

Esse é o filme que mostra exatamente o que deveriam estar fazendo - grandes papéis para verdadeiros grandes atores (com excessão do Justin Timberlake, que é, eu acredito, meramente decorativo) em situações extraordinárias pelo bem da coolness. Samuel L. Jackson como homage de negro sulista? Shut up!

Vai ser sensacional ir ao cinema pra ver isso, mesmo que o filme não seja tão bom quanto parece ser (mas acho que é bom).

Fugindo um pouco do assunto, o que Samuel L. Jackson faz com Christina Ricci, acorrentá-la (shut up!) e educá-la com relação a Deus e os bons costumes, é o que eu gostaria de fazer na vida real com Lindsay Lohan. Vou tomar notas enquanto assisto..

2 minutos de United 93

Peguei por acaso dois minutos de United 93 e era uma cena dentro do avião em que os sequestradores planejavam entrar em ação, olhando todos muito compenetrados e com cara de malvados para a porta da cabine do piloto e então cortavam para a aeromoça sorridente deixando comida para o piloto e o co-piloto que começam a conversar. Só esses dois minutos, ou menos, e a forma com que as pessoas são apresentadas é nojenta o suficiente pra tirar qualquer curiosidade a respeito do filme que eu já não tinha muita para começar.

Os passageiros, sem saber de seu trágico destino, falam sobre filhos e assuntos bonzinhos em geral. Claro que muitas pessoas boas morreram, mas não havia um idiota ali?

Na cabine, aparece um aviso na tela para o co-piloto: "Sua esposa ligou para saber se você está bem". Que tipo de aviso é esse? Se eu fosse um controlador de vôo, eu jamais perderia meu tempo com recados pessoas. Mesmo se esses recados de fato existem, algo como "sua esposa pediu pra comprar ovos" durante vôos, não tem importância nenhuma mostrar isso, mas claro, tem importância em um filme que quer mostrar, se você tem alguma dúvida, como toda essas pessoas eram, bom, pessoas, com famílias e amigos, porque jamais pensaríamos nisso, não é?

Ao ver o recado, o co-piloto diz "ligo pra ela assim que chegar" mas, ah, se ele soubesse que ele nunca vai chegar… :~~~~((((

O piloto pergunta para o co-piloto se ele tem filhos (que tipo de conversa entre um piloto e co-piloto é essa? Eles não se conhecem?) e ele tem um BEBÊ e vai ser ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO dele e ele pretende levar a esposa para Londres e ser feliz para todo o sempre… Se o diálogo fosse um pouco mais longo, ele contaria que, naquele mesmo dia, sua mãezinha faz aniversário, 86 anos, que ele vai visitá-la mais à noite levando flores e uma torta de limão e que, por enquanto, ela está no hospital cuidando do tio Jimmy que tem leucemia. 

É como a morte da mãe do Bambi. Querem que os momentos anteriores à morte da mãe do Bambi culminem em uma morte que seja a mais dolorosa possível, mas até a morte da mãe do Bambi parace mais natural e menos forçada e há mesmo necessidade de intensificar algo que já foi bastante doloroso na vida real? 

Os pilotos não poderiam estar falando de, sei lá, programas de televisão? É preciso mostrar que eles, ao contrário dos atores, são humanos e que quando eles morrerem eles vão deixar esposas, filhos e cãezinhos com feições tristonhas e então socam tudo isso em diálogos. 

Seria menos forçado se o co-piloto respondesse: "Sim, tenho uma filhinha linda que iria toda noite chorar olhando para o céu e com as mãozinhas no peito se eu fosse morto em um sequestro de avião".

The Taste of Tea

Eu, geralmente, assisto filmes já pensando no que vou escrever sobre eles mas não consegui pensar em nada enquanto assistia The Taste of Tea, a não ser que é muito, muito bom e tal.

Tem uma sequência extremamente engraçada em que Tadanobu Asano conta para o sobrinho sobre uma vez em que, quando criança, fez cocô no que ele achava ser um ovo gigante, enterrado pela metade, no meio do mato e passou a ser assombrado pelo fantasma irado de um homem coberto de tatuagens e sangue e com um cocô na cabeça como se fosse um chapéu. 

Procurei pelo youtube pela sequência, mas não existe muitos fragmentos disponíveis. Recomendo que assistam, de qualquer forma. É uma espécie de The Royal Tenenbaums com japoneses.

Me apaixonei pela garotinha que faz Sachiko, ela é tão boa, e pela atriz de olhos grandes e voz rouca que faz Aoi. Devo tentar assistir Naisu no mori: The First Contact e Kamikaze Girls.

Nota breve antes de dormir

Ganhei ótimos DVDs nesse Natal e um deles foi uma edição muito bonita de Azumi. Dei uma olhada rápida de mais ou menos uns quinze minutos antes de desmaiar, e, por enquanto, poderia servir como um ótimo exemplo de como uma trilha sonora pode atrapalhar ou invés de ajudar.

São cenas tocantes e muito bem feitas mas acompanhandas por uma música horrível com um coro de mulheres deprimidas que apenas me distancia e me deixa fria ao invés de me emocionar.

É exatamente o oposto do que Eisenstein fazia. Você tinha toda aquela música tão alta e forte durante toda a cena da escadaria de Odessa, mas o que realmente importava (a mãe carregando o filho, pedindo clemência aos soldados e, então, sendo fuzilada) acontecia em silêncio.

Os momentos mais importantes devem ser em silêncio para não haver distração do que está acontecendo.

É como regra de maquiagem, você não pode carregar nos olhos E na boca.

Aqui estou eu, nesse momento tão importante para os personagens, e não sei se me importo com eles ou se penso na terrível decisão das pessoas envolvidas no filme de usar essas flautas tristes horrorosas. 

Grindhouse

Trailer oficial aqui.

Me perguntei porque Tarantino omitiu Jackie Brown na parte de "dos diretores de" - é uma questão de popularidade ou ele se arrepende de ter feito o filme?

De qualquer forma, mal posso esperar pra assistir.

 

P.S.: "The following preview has been aproved for all audiences" - really? O_O

Casino Royale

Oh, meu Deus, foram corações que apareceram?

Quando eu vi a foto de Daniel Craig, pensei "meu Deus, ele parece um marujo, um, um, um pirata, uma dessas pessoas sujas de sei lá o quê, andando em docas, limpando, sei lá, estibordos, içando velas, falando ‘haaaar’, como ele pode ser James Bond? Jesus!" e, então, comecei a ler sobre os problemas durante as filmagens, os rumores de que ele não sabia dirigir carros manuais, portanto, não dirigiria um Aston Martin mas, não sei, um Honda e pensei, "Deus, isso nunca vai dar certo…"

Aos poucos, todos esses rumores foram desaparecendo e o que ficou foi uma sensação de coolness ao redor do filme, do tipo "sabe, ele é tão errado, ele é tão antítese do Pierce Brosnan, que talvez dê certo". Então, apareceram as primeiras resenhas e os comerciais e os trechos disponíveis… E, lentamente, tudo isso resultou no primeiro filme do 007 que eu REALMENTE quero ver - pelo menos, para falar mal do Daniel Craig.

A primeira coisa que noto é a trilha sonora acompanhando as falas do vilão de acordo com o grau de maldade inserida nas palavras (me lembra The Incredibles) - que brega, que sensacional! 

A animação que apresenta Daniel Craig é tão brega, mas tão brega - um bom-brega, estilizado-brega, ao contrário das apresentações dos filmes com o Pierce Brosnan que eram bregas-bregas - que eu mal posso esperar pelo próximo filme da franchise. O começo do filme é bastante assim, você acha que tem algo errado, mas não, está certo, bastante certo.

"Ele está dirigindo um Ford!? Oh, noes!"… Mas tudo fica bem.

Mesmo com tudo sendo bastante atualizado e personalizado (e violento), é a primeira vez que eu consigo ver um James Bond que pareça ter um passado, que pareça ter emoções, que seja tridimensional. Lá pela primeira hora e meia do filme, percebi que metade da atuação do Daniel Craig se baseia em parecer que não dorme há três dias e lacrimejar, mas, filho da mãe, ele é envolvente e carismático, você se preocupa com ele e, ahm, hm, até sente atração. É incrivelmente tocante. Senti umas lagriminhas nos meus lhos em dado momento - não, não foi no final - e eu não esperava isso, de forma alguma. Até a M parece real e não "olha, Judi Dench fazendo o papel de um homem".

O filme é falso quando precisa ser falso e muito bem real quando precisa ser real. Eu já estava tão envolvida com o filme e com James Bond que quando ele tem a camisa toda suja de sangue por causa de uma briga, depois de ter se arrumado e se olhado com tanto orgulho no espelho, eu senti uma imensa pena (e dor) por ele ter de se limpar e se trocar novamente. 

Existem coisinhas muito inteligentes, como não darem nenhuma fala ao marido de M quando ela é acordada pelo telefone no meio da madrugada - em qualquer outro filme, a esposa ou marido acordaria por um momento e diria "quem está telefonando a essa hora?" ou, pelo menos, considerando a rotina dela, um "hmmm de novo, não". O agente que implanta um chip em James Bond também não é obrigado a dizer nada. Qualquer roteirista comum teria trecos, "como assim, eles não são pessoas, eles não dizem nada?", não, eles não dizem nada, muitas pessoas não dizem nada. Eu não digo nada, normalmente.

O filme também é engraçado. Durante uma luta no interior de um carro, o vilão dá uma buzinada usando a cabeça do James Bond. Não é tipo de coisa que se espera e, mesmo assim, não chega a desmoralizá-lo como James Bond (ao contrário de Roger Moore vestido de palhaço).

O filme é muito, muito bom e lindo, cada locação é maravilhosa. Em dado momento, entrei em uma mini-depressão: Por que meu namorado não bate o carro tentando se desviar de mim? 

O filme é consideravelmente longo, apesar de não se sentir muito - só recomendo que se vá ao banheiro antes da sessão - e eu me desliguei um pouco justamente na cena mais dramática por causa de uma série de elipses um pouco chatas, mas ao final do filme, eu imaginava (e queria) pelo menos mais meia hora. 

 

Sugestão

Por causa da crise do cinema (alguns culpam a disponibilidade dos filmes em iPod, Inernet, etc.) algumas pessoas estão apostando que a solução pra atrair as pessoas de volta seria relançar alguns clássicos em 3-D. Como, por exemplo, Lord of The Rings em 3-D (que continuaria sendo chato).

Eu estou assistindo A Nightmare on Elm Street Part 2: Freddy´s Revenge, acho sensacional. Imagine a experiência de vê-lo em 3-D? E a reação em público? Seria perfeito.

Eu mudei de idéia

Eu achava que Javier Barden era o anti-Cristo, com Gael Garcia Bernal ficando em segunda posição, mas agora mudei de idéia. Jack Black é o anti-Cristo. Não tem mais graça. Cada dia que passa, o odeio cada vez mais, cada pedacinho adiposo de Jack Black, cada sobrancelha (duas! que afronta! odeio todas aquelas sobrancelhas!).

Jack Black simplesmente segue seu caminho, deslizando pelo cinema, fazendo o mesmo papel e sendo "engraçado", com variados (dois) movimentos de sobrancelhas (pra cima e pra baixo) e franja. Quando cortam ou penteiam o cabelo dele para algum dos filmes horríveis que ele faz, é como se tirassem 50% da personalidade dele (os outros cinquenta, é claro, sobrancelhas), como se ele fosse um Chris Farley careca e magro. Eu não aguento mais.

Vi o trailer de The Holiday e quis vomitar. Primeiro porque colocaram umas três ou quatro cenas da Kate Winslet gargalhando. Nada contra Kate Winslet, mas esse tipo de trailer é odioso. Quero dizer, uma hora e meia, e é isso que resume o filme? Kate Winslet gargalhando o tempo todo? E é um filme de Nancy Meyers que fez grandes piores filmes de todos os tempos, como Something´s Gotta Give e What Women Want. Eu adoraria ver Nancy Meyers sendo morta esmagada por uma pedra gigantesca que foi atirada pelo próprio Jack Black do alto de um precipício. E Jack Black, vestido de Nacho Libre, riria com suas sobrancelhas malvadas, as mãos na cintura, e Kate Winslet, no topo de uma árvore, jogaria uma bigorna nele. E um piano de cauda. E, e, uma baleia. Sim. E Kate Winslet riria por último.

Grindhouse

Death Proof, de Tarantino

 

 Planet Terror, de Robert Rodriguez.

 

Primeiras reações: "Wow", repetidamente e com excitação infantil.