Dead Poets Society

HBO, calças cáqui, camiseta branca, gripada, deitada na cama, tacando bolinhas de papel higiênico na televisão.

Ah, Jesus Cristo, se eu tivesse bolas, certamente elas iriam doer toda vez que um desses garotos estúpidos falam carpe diem - Jesus Cristo!
Eu só queria que o Charles Bronson aparecesse, de repente, e desse um tiro de rifle no Robin Williams, Jesus Cristo. Capitão - ai, minhas bolas!

Se querem um filme decente sobre universidade e a descoberta da própria identidade e das coisas novas, que seja heterossexual e que não faça minhas bolas imaginárias rolarem de dor, por favor, assistam Flirting. Olha, até coloquei link.

Quem apóia cinema gratuito não gosta de cinema

Era pra ser um registro sobre minha tentativa de ver Rubber´s Lover, da mostra de cinema transgressor japonês que está já na última semana no Cine Olido, localizado na parte mais terrível da cidade, mas além do filme ser bastante ruim, não consegui ficar na sala de projeção até o final por causa da sala, não só da ruindade do filme.

O perigo de se ver mostras gratuitas no centro da cidade, de tarde, é, pelo menos, dividir a sala com um bando de velhinhos fedorentos que trazem pipoca num saquinho de supermercado, quando não trazem farofa mesmo. Vi um filme noir, uma vez, nem me lembro qual o nome, em que o maldito velhinho bebia do gargalo duma coca-cola dois litros envolvida em saquinho plástico, além de pigarrear vez ou outra. Isso aconteceu pagando uns 2 ou 4 reais, coisa leve.

Nessa sessão em questão, a do Rubber´s Lover, pelo menos quatro pessoas entraram com saquinhos plásticos, sentaram, trocaram de saquinhos e saíram. Eu pensava que eram malditos velhinhos com jujubas em saquinhos, mas meu namorado confirmou que era tráfico de drogas mesmo.

Rubber´s Lover é muito ruim, é difícil de não conseguir prestar atenção, tem uma ou outra imagem legal mas são todas extendidas por quatro ou cinco excessivos minutos, além de exagerar no som, que incomoda bastante; a garota se aterroriza e ela não grita por três segundos ou qualquer tempo normal de grito que seja, ela grita por malditos cinco minutos e alto e com trilha. Mas isso não importa agora.

O barulho na sala e o movimento é demais. E o pior: Eu ouço alguém gemendo. Não são velhinhos ou traficantes, eu ouço alguém gemendo, sexualmente, e sem nenhuma intenção de disfarçar.

Dar uma volta no quarteirão do Cine Olido é o bastante pra visualizar o inferno, literalmente - eu frequentemente me irrito com pessoas que dizem "literalmente" quando a situação é simplesmente impossível de ser "literal", mas, sério, era o inferno, literalmente. E agora, nessa região da cidade, havia não só aposentados com efisemas pulmonares, traficantes, drogados, bem como gente fazendo sexo.

Cinemas gratuitos não são tomados de crianças carentes de cultura, são tomados por tudo, menos gente interessada por cinema - sem contar comigo e duas ou três pessoas com camisetas de filmes que tentavam tão bravamente prestar atenção na porcaria do Rubber´s Lover.

Uma vez, num farol, vi um cara assaltar a moça da minha frente e fiquei com vontade de ter uma daquelas máquinas que dão choque através de dois fios, logo, podendo ser disparados à distância, e dar uns chutes na barriga do maldito (provavelmente, o cara me processaria por agressão e todo o pessoal de direitos humanos ficaria do lado do bandido, mas enfim, eu teria me divertido). Naquela maldita sala, ouvindo os gemidos e as pessoas entrando e saindo com saquinhos plásticos, fiquei com vontade de ligar pra polícia, mandar prender essas pessoas - eu não faria tudo com minhas próprias mãos, porque eles são sujos - mas claro que não o fiz, saí da sala sem terminar de ver o filme e desisti do resto da mostra, com sinais de depressão - será que quando eu for ver a Mona Lisa vai ter um cara se masturbando em cima dela? Na formatura dos meus filhos? Tudo que for legal e barato que acontecer vai ter um cara se masturbando em cima das pessoas e estragando tudo? No meu casamento, em cima da Tia Rosa?

Nós chegamos bem em cima da hora pra ver o filme, meu namorado foi até o banheiro e eu fui pegar lugares. Quando ele voltou e parou ao lado do cara sentado com as pernas impedindo a entrada de qualquer pessoa logo no começo da fileira, parecia que o cara nem sabia que estava em um cinema e que as pessoas querem ver um filme, que vão passar um filme. Ele foi um dos caras que fez trocas (extremamente barulhentas) e saiu pouco depois. 

Não digo que cinemas capitalistas bonzinhos e limpinhos sejam uma maravilha, que ninguém conversa ou não escolhe os tipos de bombons que fazem mais barulho pra abrir (e o fazem de-va-gar) até porque os filmes que eles exibem são de uma outra amplitude de ruindade, não é como Rubber´s Lover, é como Shall We Dance com a J-Lo, mas pelo menos eu não fico com nojo das poltronas e não fico com medo de uma batida ou confronto de gangues a qualquer momento, sem falar em orgias envolvendo saquinhos plásticos.

Nos Cinemarks, as pessoas jogam vôlei durante o filme, mas eles são limpos, pelo menos.

O ideal seria ver esses filmes obscuros e artísticos por, sei lá, 50 reais. Sem meia. 50 reais. Eu não teria dinheiro, mas não seria uma maravilha? Só pessoas REALMENTE interessadas em cinema no cinema?

Já ouvi um garoto indie dizendo que apóia o cinema gratuito, que ele consegue prestar atenção no filme não importa o que esteja acontecendo na sala. Eu respondi dizendo que EU não consigo e ei, garoto indie, você não brigaria pelo MEU direito de conseguir assistir o maldito filme? Pelo direito de todo mundo?

Que espécie de namorado seria alguém que não se importa com as condições de um lugar desde que ele esteja bem? Que não liga pro ar-condicionado e deixa a namorada morrer de pneumonia? 

Mighty Aphrodite

HBO 2, camisola, cama, grogue de sono.

Impressões anotadas rapidamente antes de dormir:

De dez anos pra cá, o tempo entre as piadas aumentou. Nesse, piadas são jogadas umas em cima das outras, com pouco tempo pra se acalmar da piada anterior, o que é bom. Não é como Gilmore Girls em que não há segundo pra respirar e as piadas simplesmente perdem a oportunidade de serem absorvidas e aproveitadas, ou como a cena em que o Jack Lemmon anuncia ao Tony Curtis que vai se casar e que precisou ser refeita com um certo espaço entre as falas, em Some Like it Hot, para o público poder rir. É ok. 

Gosto de como o Woody Allen responde a Helena Bonham Carter quando ela defende a adoção usando aqueles argumentos de superpovoamente do planet; que as pessoas não alugam carros por isso, que elas compram pra sentir que possuem algo.

Gosto de como o nome da mulher que ele procura muda milhares de vezes.

Gosto do coro grego chamando o Woody Allen de schmuck! 

Mira Sorvino me dá nos nervos. Tão ruim, Woody Allen sempre foi altamente influenciado pelas atrizes que estão na moda. Veja só, o que Mira Sorvino fez ultimamente, um filme com Mariah Carey..

Female Warrior

Meiko Kaji, atriz do filme que entitula o blog. Filme japonês dos anos 70, visto SEM LEGENDAS, no laptop, mas altamente apreciado, de qualquer forma.

Progress

‘Further, this narrative insists upon the importance of importation. While all countries incorporate culture from elsewhere - the process is called "progress" - Japan does so with a certain finality. Any definition of Japanese style has to face the fact that most Japanese are usually unable to handle anything without swiftly nationalizing it. Or, perhaps better put, the Japanese have a particular genius for assimilation and incorporation. Thus any influence - be it gagaku court dancing from medieval Korea, punck rock from modern America, the narrative patternings of European sophisticate Ernst Lubitsch, or the made-in-U.S.A. attitudes of Quentin Tarantino - is swallowed, digested, and turned into something sometimes rich, often strange, and always "Japanese". All of these choices, moreover, are purposeful: identity is, in the process, more constructed than discovered.’

A Hundred Years of Japanese Film - A Concise History, with a Selective Guide to DVDs and Videos
Donald Richie

*Takeshi Kitano como Zatoichi na capa* ^_^

Ichi - The Killer

Onde: Cine Olido, mostra de cinema transgressor japonês.

Com: namorado e vagabundos e fancy-pants.

Como: sentada com a perna cruzada, alternando perna com cuidado pra não chutar a fileira da frente. 

Vestindo: calças pretas, camiseta branca - eu era a única pessoa com uma camiseta branca simples, a maioria estava de preto e usavam camisetas do Taxi Driver ou coisa assim. 

Comendo: nada, fui de estômago vazio mas, estranhamente, fiquei morrendo de fome depois do filme.

O primeiro filme que eu vi do Takashi Miike foi Chakushin Ari (One Missed Call), filme que me parecia um resumo muito bem feito de todos os filmes de terror japonês que eu tinha visto até então; Ringu, Dark Water, Suicide Club (não tão terror, mais suspense), etc.. Fiquei impressionada, era terrivelmente divertido, apesar de reunir elementos que eu já tinha visto antes. O que demora é se acostumar com esses elementos e não achar que tudo é uma cópia, que tudo é repetição, porque não é (John Ford copiou Griffith, Sergio Leone copiou John Ford, Tarantino copiou Sergio Leone e todos eles são extremamente diferentes). Além disso, são coisas japonesas que simplesmente precisam ser entendidas. Ninguém que não entenda um pouco de coisas japonesas pode gostar de Ichi - The Killer, ou One Missed Call, que é muito mais suave.

Em One Missed Call, que já foi resumido como "ringu com celular", há uma cena em que a garota que foi amaldiçoada por um espiríto através do celular (isso é tão japonês) tem todos os ossos do corpo quebrados e eu achei a coisa mais legal do mundo, a forma como a cena foi feita e como a torção do corpo foi tão explícita dentro da suavidade do filme.

Ichi - The Killer, filme de Yakuza, é basicamente a cena dos ossos sendo quebrados repetida inúmeras vezes, por assim dizer, só a forma que a tortura é feita (óleo quente, facas, etc) que muda. Pra quem não gosta de violência, é terrível. Eu me diverti, apesar de colocar a mão nas sobrancelhas pra agilizar o acesso aos olhos, caso fosse necessário.

Algumas coisas são exageradas, como a forma que o título do filme brota de um plano extremamente detalhado de um sêmen, ugh, tão Amarelo Manga isso, mas aos poucos, a violência (e o sexo) faz sentido. Violência e sexo são comuns para japoneses, não que matem e estuprem as pessoas regularmente, mas eles estão acostumados a produzir coisas com esse tipo de material, qualquer soft hentai tem alguma ceninha de estupro, e, quando você entra nesse estado de mangá, faz sentido que o personagem passe a mão no próprio pinto - que não mostraram, ainda bem, porque seria demais - que, no caso, seria uma garota ensanguentada e deformada de inchaço ocasionados por socos e chutes. Você se acostuma. Mas é japonês avançado.

Japoneses com roupas feitas apartir de video-games, gêmeos com roupas cheias de brinquedinhos de 1,99, um deles, que usa uma tiara com orelhinhas peludas, sádicos loiros efeminados (como em Suicide Club), um personagem chamado Ichi. Tããão japonês.

É uma síntese, novamente, dessa vez, de filmes de Yakuza e cultura japonesa, em geral. Quando um membro de alguma gangue faz alguma besteira, é comum eles mesmos cortarem o próprio dedo como forma de pedir desculpas. No filme, quando um personagem precisa se redimir e dizem  "isso não é coisa que um ou dois dedos vão servir" e então ele corta a língua, em detalhe, e atende o celular logo em seguida, com a fala um pouco prejudicada, whoa.

Apesar de ser muito mais agressivo e explícito, me lembrou de Brother e Old Boy, que, se comparados, não tem absolutamente nada a ver. Ao mesmo tempo que traz uma série de elementos exteriores, é tão pessoal. One Missed Call e Ichi - The Killer são tão diferentes quanto Brother e Old Boy, mas lá estão as pessoas que não querem ficar sozinhas e seguem as outras, apesar delas não pedirem pra serem acompanhadas e, bem, as pessoas com todos os ossos quebrados do corpo e uma estranha relação com olhos-mágicos e coisinhas de ferro bem fininhas e afiadas.

A primeira metade do filme é feita, basicamente, para chocar. A segunda metade se torna muito mais interessante, mas, claro, qualquer pessoa que não goste de violência, como meu namorado, já haveria desligado há muito tempo, eu acho que é coisa pra tentar resistir, sinceramente, porque o roteiro é bom, as falas são boas, os personagens são bons. O filme é longo, mas é complexo e bem divido, não senti em nenhum momento que o filme tinha passado tempo demais com um personagem ou outro, ao contrário, senti pena quando morriam, não por simplesmente morrerem, mas por não terem passado o tempo suficiente comigo.

Uma cena em que um membro da gangue paga um macarrão ao Ichi é espetacular e tudo parece muito japonês, a voz de um, a expressão de terror de outro, a forma como uma japonesa misturava inglês e japonês (como a menina que diz "boyfurendo" em Tokyo Drifter, eu sorrio), como as crianças passam por um enforcado sem dar muita atenção, como um garçom é incentivado a se matar porque errou o pedido, tão, tão, que é uma lição de cultura japonesa, mas é coisa pra se ver muito adiante, se você é japonês-ignorante, não comece com isso. 

Mas tá, cortar os mamilos de uma mulher é um exagero, mas continua comigo, continua comigo. 

 

Charade

Film and Arts, poltrona.

Reggie Lampert: Do you know what’s wrong with you?
Peter Joshua: No, what?
Reggie Lampert: Nothing!

E

[Touching the cleft in his chin]
Reggie Lampert: How do you shave in there?

Eu adoro, adoro, adoro, adoro.

It´s Pat

Quarto, Cinemax Prime, poltrona, água, camisola.

Filme baseado em sketch do Saturday Night Live - quantos filmes baseados em sketchs do Saturday Night Live existem? - em que Julia Sweeney interpreta um ser cujo sexo ninguém sabe, chamado Pat, apelido tanto de homem como de mulher. Ele/ela tem cabelo encaracolado, curtinho, é gordinho(a), usa óculos e roupas que tanto homens quanto mulheres bregas poderiam usar. É engraçado, mas não por muito tempo.  Talvez um curta fosse melhor. Já li por aí que achavam que o quadro foi repetido vezes demais no próprio SNL, imagine um filme de não sei quanto tempo. Não é ofensivo, pelo menos, como a J-Lo, David Foley interpretando outro ser andrógeno chamado Chris, namorado(a) do(a) Pat é hilário.

Ocean´s Twelve

Onde: Tevê, quarto, HBO 2

Como: Cama, com intervalos pra assar pão de queijo.

Vestindo: Camisola 

Humor: Nhé.

Não é maravilhoso, mas é divertido. Em dado momento você já não liga mais pras reviravoltas e as jogadas espertinhas e se deixa levar pelas imagens, pelas roupas e as músicas. A parte da Julia Roberts se passando por Julia Roberts é muito legal. Quase todo filme com o Bruce Willis presta pra alguma coisa. Tô tentando lembrar algum filme do Bruce Willis em que absolutamente nada é legal e não me ocorre nenhum. Não se fazem mais Bruce Willis.

Dinheiro público e filme chato, filme chato, dinheiro público.

Está tendo ou teve um festival na cinemateca de Sâo Paulo sobre o papel do operário no cinema. Atrás da programação, havia o selinho vermelho da CUT. O que a CUT entende de cinema?

Recebi por email informações do Concurso Caracol de Plata, cujos candidatos inscritos têm como missão produzir uma mensagem sobre a erradicação da pobreza-extrema e da fome nos países ibero-americanos.

Houve algum tipo de discussão entre o Gilberto Gil e o Caetano Veloso se cinema deveria se meter com dinheiro público, não sei ao certo e realmente não quero ser o tipo de pessoa que sabe algo certo sobre Gilberto Gil ou Caetano Veloso. Sei do quanto Jorge Furtado se aproveitou e nem sobre isso quero saber muito.

Não tenho opinião formada se o governo deveria ou não se envolver com artes. Por um lado, incentivo parece correto porque não temos costume de produzir nada em questão de cultura, ninguém ouve falar de Shakespeare no colégio, ninguém lê, ninguém procura ver filmes da década de 20, 30 ou 40, e pouca inicitiava privada faz algo - o que seria ideal. Por outro, o governo não entende nada de artes.

Pra vencer qualquer concurso e conseguir alguma projeção, é preciso tocar em temas sociais. Jorge Furtado pagou atores para subirem em montes de lixo e chamou de documentário. O Auto da Compadecida jamais seria feito se não tivesse aquela sequência horrível no final do filme com fotos de nordestinos sofridos. Cidade de Deus, claro, toca no tema difícil do narcotráfico, essa realidade que todo mundo ignora.

Por aí, já não sei mais quem começou. Se os filmes nasceram chatos e o governo passou a apoiar ou se por causa do governo, para conseguir o apoio, os filmes têm de ser chatos. Se você faz um filme pela Petrobrás ou com apoio do Boticário, que seja, você têm de corresponder a certos padrões de realidade.

Então, eu pergunto aos colegas da CUT, não seria maravilhoso se houvesse uma indústria especializada? Bem capitalista? Não que Hollywood não faça besteiras e que não tenha perguntado perguntas difíceis de serem perguntadas, ainda mais ultimamente, mas coisas como The Incredibles passam, com direções e roteiros cuidadosos, além de lucrativos, o que seria impossível no Brasil.

F-I-C-Ç-Ã-O. 

Shall we dance - americano

Arrrgh, vi três minutos dessa coisa e odeio completamente. Eu quero pegar o teclado e bater na minha cabeça quando a J-Lo aparece. E ela se chama Paulina, e ela é chicana orgulhosa e depois chora com o rímel borrando porque chicanas são fortes mas são emotivas e aaarrrgh.

Qualquer idéia, a essa altura, de filmar algo com a J-Lo parece vil. Imagine pegar um filme japonês adorável e colocar a J-Lo no papel de uma bailarina recatada, altiva, graciosa, enfim, tudo que J-Lo não é. E essas cenas ardentes? Jesus Cristo. Tira esse tango moderninho.

A lógica do filme ser japonês era a de que dançar é especialmente difícil porque eles não tem costume de se tocar. Isso é dito logo no começo do filme. Pelo amor de Deus, J-Lo se esfrega ao invés de dizer olá. Tô morrendo, Jesus Cristo.

Girl with Pearl Earring

Onde: Na televisão do meu quarto, HBO Plus.

Como: Sentada na poltrona, entre computador e estudos (estou em abstracionismo). Fazendo digestão.

O que visto: Calça marrom, camisola branca por cima, cabelo preso, pés descalços. 

Humor: Sonolenta e surpresa por estar sonolenta a essa hora. 

Eu já tinha visto o filme antes, peguei passando bem na cena em que o Veermer pergunta à Scarlett Johansson de que cores são as nuvens. É um bom filme. Não excelente, mas muito bom. São raros os filmes em que você assiste por causa da direção de arte. Os pigmentos de tinta, Veneza.

Vi esse filme pouco antes do Match Point, talvez tenha sido por isso que me decepcionei com a Scarlett Johansson. Ela está muito boa em Girl with Pearl Earring, até forçando o sotaque e tudo. Em Match Point ela está ridícula, parece que esquece que a câmera está ligada, que não vai cortar e fazer campo, contra-campo e ela se desliga completamente quando outra pessoa fala. 

Emily´s Reasons Why Not

Não gosto da Heather Graham porque meu namorado acha que ela é bonita e eu não concordo. Ambos achamos Monica Belluci maravilhosa, mas eu não posso concordar com Heather Graham. Mas Emily´s Reasons Why Not é muito, muito ruim, independentemente dela ser insípida, ter olhos esbugalhados e lembrar um filhotinho de maltese que vi na vitrine de um pet shop hoje à tarde. Sabe por quê? Porque ela tem um amigo gay E negro, que namora um ÁRABE. Porque entre os diálogos tem uns corinhos femininos de "uuhm parapá".

Os atores são bobos, a megera-asiática é ridícula, as roupas são ridículas. Lembrem-se, Heather Graham, também produtora da série, é a pior garota da série Austin Powers. Sério. Pior que a Beyoncé.

 Incrível a forma como a Sony vendeu a série, dizendo que a série deveria ter 22 episódios mas que só conseguiu chegar a 6 porque "Heather Graham é um fracasso". Fiquei com vontade de ver por causa disso, dessa forma linda de abraçar o erro. Se a tagline do Da Vinci Code fosse "tentamos fazer um filme, tentamos", eu veria. Samba, "tentamos tocar música de verdade".

Olá

Esse não é o momento para criar um blog. Estou extremamente - não tanto - atarefada com provas finais, preparamentos para uma viagem de duas semanas (que ainda não foi confirmada, que não consigo encontrar hotel, que não tenho reservas de vôo, etc.) além de um possível emprego em tempo integral. Minhas tentativas de trabalhar em casa se esgotaram, e eu nem tentei tanto assim. Mas, como eu dizia, esse não é o momento para criar blog, mas eu sempre arranjo algum momento pra postar algo, se há vontade.

A intenção deste é documentar absolutamente todos os filmes que vejo, eventualmente, programas de televisão, se eu quiser, e falar de atores, atrizes, diretores (bom, estão aí do lado as categorias que pude imaginar até agora) que vierem aparecendo ao longo dos dias.

Mais do que isso, vou me dar liberdade para escrever duas palavras que seja; "que merda", por exemplo. Vou tentar, na medida em que continuar divertido, registrar onde vi, com quem, a que horas, se estava comendo ou bebendo algo, o que eu estava vestindo, se estava sentada em cima da perna, deitada na cama, com que disposição, quando vi tal filme.

Sempre que falam de um filme, especialmente no Brasil, quase todos os críticos tentam fazer uma resenha impessoal, de forma que não se saiba se ele escreveu usando chinelos, por exemplo. Todo crítico tenta parecer não-humano para que o leitor possa valorizá-lo, para que não consigam visualizá-lo como alguém que usa chinelos e que, portanto, diz besteiras.

Muitas vezes, críticos são chamados às oito da manhã para avaliar três ou quatro filmes seguidos e se eles, literalmente, disserem que cochilaram, o que acontece, não respeitariam todo esse código de distância e frieza que há na crítica agora e, muito provável, não seriam publicados tão facilmente.

Uma crítica verdadeira, pessoal, e bastante íntima, afirmando que filme X o fez chorar (um crítico! chorar!) é muito mais atraente do que dizer que filme X é "emocionalmente profundo".

Eu uso chinelos e devo falar besteiras, mas, pelo menos, devo parecer uma pessoa real quando fala com uma pessoa real, ou tento me dirigir a uma pessoa real. Não estou falando de simplicidade na escrita, mas de usar bastante primeira pessoa. É o que sua mãe faz quando fala do dia. É o que todo jornalista tenta arrancar de entrevistados distantes de um público, trazer Marilyn Monroe, Marlon Brando pra mais perto. Não existe nada mais precioso do que saber que Otto Preminger era um péssimo motorista - e que bom, mas que bom ele falar sobre isso. Deixar mais humano, no melhor sentido da palavra.

Eu sou bastante antisocial no dia-a-dia. Detesto, aboslutamente, conhecer novas pessoas, já tenho problemas com as antigas. Mas quando é preciso, eu tento olhar nos olhos e falar com calma e ser gentil. Não quero dizer que preciso falar de cinema, ou que simplesmente preciso falar porque seria mais bobo do que formar anagramas com "Mona Lisa", mas eu gosto bastante.