Olá

Esse não é o momento para criar um blog. Estou extremamente - não tanto - atarefada com provas finais, preparamentos para uma viagem de duas semanas (que ainda não foi confirmada, que não consigo encontrar hotel, que não tenho reservas de vôo, etc.) além de um possível emprego em tempo integral. Minhas tentativas de trabalhar em casa se esgotaram, e eu nem tentei tanto assim. Mas, como eu dizia, esse não é o momento para criar blog, mas eu sempre arranjo algum momento pra postar algo, se há vontade.

A intenção deste é documentar absolutamente todos os filmes que vejo, eventualmente, programas de televisão, se eu quiser, e falar de atores, atrizes, diretores (bom, estão aí do lado as categorias que pude imaginar até agora) que vierem aparecendo ao longo dos dias.

Mais do que isso, vou me dar liberdade para escrever duas palavras que seja; "que merda", por exemplo. Vou tentar, na medida em que continuar divertido, registrar onde vi, com quem, a que horas, se estava comendo ou bebendo algo, o que eu estava vestindo, se estava sentada em cima da perna, deitada na cama, com que disposição, quando vi tal filme.

Sempre que falam de um filme, especialmente no Brasil, quase todos os críticos tentam fazer uma resenha impessoal, de forma que não se saiba se ele escreveu usando chinelos, por exemplo. Todo crítico tenta parecer não-humano para que o leitor possa valorizá-lo, para que não consigam visualizá-lo como alguém que usa chinelos e que, portanto, diz besteiras.

Muitas vezes, críticos são chamados às oito da manhã para avaliar três ou quatro filmes seguidos e se eles, literalmente, disserem que cochilaram, o que acontece, não respeitariam todo esse código de distância e frieza que há na crítica agora e, muito provável, não seriam publicados tão facilmente.

Uma crítica verdadeira, pessoal, e bastante íntima, afirmando que filme X o fez chorar (um crítico! chorar!) é muito mais atraente do que dizer que filme X é "emocionalmente profundo".

Eu uso chinelos e devo falar besteiras, mas, pelo menos, devo parecer uma pessoa real quando fala com uma pessoa real, ou tento me dirigir a uma pessoa real. Não estou falando de simplicidade na escrita, mas de usar bastante primeira pessoa. É o que sua mãe faz quando fala do dia. É o que todo jornalista tenta arrancar de entrevistados distantes de um público, trazer Marilyn Monroe, Marlon Brando pra mais perto. Não existe nada mais precioso do que saber que Otto Preminger era um péssimo motorista - e que bom, mas que bom ele falar sobre isso. Deixar mais humano, no melhor sentido da palavra.

Eu sou bastante antisocial no dia-a-dia. Detesto, aboslutamente, conhecer novas pessoas, já tenho problemas com as antigas. Mas quando é preciso, eu tento olhar nos olhos e falar com calma e ser gentil. Não quero dizer que preciso falar de cinema, ou que simplesmente preciso falar porque seria mais bobo do que formar anagramas com "Mona Lisa", mas eu gosto bastante.

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