Dinheiro público e filme chato, filme chato, dinheiro público.
Está tendo ou teve um festival na cinemateca de Sâo Paulo sobre o papel do operário no cinema. Atrás da programação, havia o selinho vermelho da CUT. O que a CUT entende de cinema?
Recebi por email informações do Concurso Caracol de Plata, cujos candidatos inscritos têm como missão produzir uma mensagem sobre a erradicação da pobreza-extrema e da fome nos países ibero-americanos.
Houve algum tipo de discussão entre o Gilberto Gil e o Caetano Veloso se cinema deveria se meter com dinheiro público, não sei ao certo e realmente não quero ser o tipo de pessoa que sabe algo certo sobre Gilberto Gil ou Caetano Veloso. Sei do quanto Jorge Furtado se aproveitou e nem sobre isso quero saber muito.
Não tenho opinião formada se o governo deveria ou não se envolver com artes. Por um lado, incentivo parece correto porque não temos costume de produzir nada em questão de cultura, ninguém ouve falar de Shakespeare no colégio, ninguém lê, ninguém procura ver filmes da década de 20, 30 ou 40, e pouca inicitiava privada faz algo - o que seria ideal. Por outro, o governo não entende nada de artes.
Pra vencer qualquer concurso e conseguir alguma projeção, é preciso tocar em temas sociais. Jorge Furtado pagou atores para subirem em montes de lixo e chamou de documentário. O Auto da Compadecida jamais seria feito se não tivesse aquela sequência horrível no final do filme com fotos de nordestinos sofridos. Cidade de Deus, claro, toca no tema difícil do narcotráfico, essa realidade que todo mundo ignora.
Por aí, já não sei mais quem começou. Se os filmes nasceram chatos e o governo passou a apoiar ou se por causa do governo, para conseguir o apoio, os filmes têm de ser chatos. Se você faz um filme pela Petrobrás ou com apoio do Boticário, que seja, você têm de corresponder a certos padrões de realidade.
Então, eu pergunto aos colegas da CUT, não seria maravilhoso se houvesse uma indústria especializada? Bem capitalista? Não que Hollywood não faça besteiras e que não tenha perguntado perguntas difíceis de serem perguntadas, ainda mais ultimamente, mas coisas como The Incredibles passam, com direções e roteiros cuidadosos, além de lucrativos, o que seria impossível no Brasil.
F-I-C-Ç-Ã-O.