City of Angels
Existem motivos certos e errados para se gostar ou desgostar das coisas. Conheci a mãe de uma amiga, crente, mora no interior, que não gostou de City of Angels porque achava um absurdo os anjos usarem preto. Concordo em parte, não pelos casacos pretos de góticos, mas pela aparência dos anjos, e todo o conceito deles, serem mesmo errôneos. Havia uma cena em que mostravam diversos quartos de hospital onde um anjo sempre fazia companhia a algum paciente e em um dos quartos, um anjo observava a televisão com o queixo caído - porque os anjos são tão fascinados com o nosso mundo, que eles realmente preferem ficar longe de Deus pra poder saborar um taco. Eles pareciam todos retardados. Mais superficialmente, na primeira cena em que Nicholas Cage e Meg Ryan conversam, ele está com uma camisa (preta, é claro) meio decotada, exibindo uma quantidade exagerada de pêlos no peito. Talvez eles tivessem achado que era importante eu conhecer os pêlos do peito do Nicholas Cage pra poder justificar a Meg Ryan ficando toda excitadinha e tomando um banho sexy enquanto pensa em Seth, o anjo sexy do peito cabeludo com cara de débil mental. Eu nunca, nunca, nunca mais consegui ver um filme do Nicholas Cage sem odiá-lo profundamente depois desse filme (e, suponho, não é bom conseguir esse tipo de resultado se você interpreta um anjo romântico e safadinho com peito cabeludo e coxas torneadas). Sempre, em qualquer filme, por mais diferente que fosse, que eu notava uma leve semelhança àquelas feições, aquele uso romântico das sobrancelhas e do olhar lânguido (mas sexy), a boca entre-aberta ad infinitum, eu odiava o filme. Odiei Adaptation, Matchstick Men, 8mm, etc., e odiaria ver um Superman calvo, com olhar lânguido e a boca entre-aberta. Nicholas Cage é o anti-Bruce Willis (porque é legal dizer coisas arbitrárias como Meg Ryan é a anti-Monica Bellucci, o que realmente é)… Então, você tem um homem não muito masculino e simplesmente ridículo e uma mulher não muito feminina e só… boba. Todo mundo acha Meg Ryan uma graça (a antiga Meg Ryan, não a Meg Ryan cheia de botóx que, agora, é apenas assustadora) mas é como se fosse um poodle tingido de cor-de-rosa, com cheiro de algodão-doce e com um unicórnio das cores do arco-íris como amigo imaginário. É demais, e tão não sexy. Mesmo assim, todas essas razões superficiais para não se gostar do filme não são as razões corretas para odía-lo. A personagem da Meg Ryan é uma imbecil, os anjos são imbecis, os diálogos, e, claro, Nicholas Cage é um imbecil - se ele fosse um Superman, eu ia torcer pro Lex Luthor que, se o casting fosse inteiramente apropriado, seria interpretado pelo Chris Tucker, ou a própria Meg Ryan.
Deus, e os clichês descarados (= mal utilizados)? Quando ela está na banheira, a música que toca é bem “ai, como ela é sexy”. Eu sempre achei que a Meg Ryan tem uma eterna cara de quem está sentindo eternamente um pum. Ela tem essa expressão de “eca! quem foi?” o tempo todo. Pode reparar.
por Jules — July 20, 2006 @ 1:19 pm