Cowboy Bebop

Eu acompanhava Cowboy Bebop pela Locomotion - agora, o canal tem outro nome e programação que ignoro com prazer. Eu nunca consegui ver os episódios da forma adequada, era sempre por acidente e algo como o número 22 e depois um trecho do 3 e assim por diante.

Estou puxando toda a série pela Internet - fazer o quê? - e me sentando com a coluna reta em algum lugar confortável, bem-alimentada e de banho tomado, e dedicando toda minha atenção aos episódios 1, 2, 3, 4… Eu acabei de ver o 5, Ballad of Fallen Angels, e eu não consigo lembrar de nada tão carismático, emocionante e inteligente. É claro que existem coisas, e até mesmo pessoas, que são carismáticas, emocionantes e inteligentes, mas nesse momento só Cowboy Bebop parece ter os personagens perfeitos com as falas perfeitas e tudo mais.

Para quem ainda não conhece, não faz mal algum ver os episódios fora de ordem e eu definitivamente recomendaria esse para quem quisesse uma amostra. 

O filme também é muito bom e está entre os meus favoritos, concorrendo com filmes feitos com pessoas de carne e osso mesmo, mas eu acho importante ter algum contato, nem que seja meramente ilustrativo (quem é Ed, quem é Faye, etc.) com a série, antes de tentar vê-lo. 

The Pianist

Não é tão ruim quanto eu pensava. Na verdade, é bastante bom. Minha resistência se dava por causa da divulgação do filme. Por todos os cantos, estava lá Adrien Brody chorando entre escombros e contorcendo ainda mais o nariz.

Sério, quão atraente pode ser isso?

Você sabe que é um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, você sabe que vai ser deprimente, que não vai ser feel-good movie, pra quê colocar fotos do Adrien Brody chorando desesperadamente por aí? A conclusão óbvia é a de que vai ser MUITO deprimente assistir, que vai ser excessivamente dramático e apelativo - não que não tenha sido dramático, mas por que não ter delicadeza?

Alguns sobreviventes, em entrevistas, narram as piores coisas do mundo em um tom muito sereno e calmo. Eles não choram. Tenho impressão de que alguns diretores escolhem esses sobreviventes e têm como meta fazê-los chorar, de qualquer forma. 

Tenho impressão de que as pessoas que passaram por aquilo são muito mais bem resolvidos do que se imagona. Roman Polanski perdeu a mãe em um campo de concentração e fez o filme mais delicado sobre Segunda Guerra.

The Pianist é ensolarado. Pessoas morrem enquanto as ruas estão laranjas de tanto Sol, em dias realmente muito bonitos, o que seria inconcebível para Spielberg. 

As cenas que realmente são cinzentas e pesadas parecem ser assim apenas por causa das estações em que os fatos ocorreram - há uma preocupação com as datas exatas.

É bonito, genuinamente bonito.

Existem pessoas más na resistência, nazistas que não são tão ruins assim, são todos humanos. Ninguém é uma caricatura (a não ser o irmão do Adrien Brody, que é um comunista chato que sempre fala exaltado).

Outra coisa interessante é o silêncio que o persongem do Adrien Brody precisa ficar para não ser notado nos apartamentos em que se esconde - se as pessoas respeitaram esse silêncio no cinema, deve ter sido uma experiência maravilhosa porque tenho a impressão de que é apenas no silêncio que as pessoas realmente se conectam, porque a atenção não é desviada para o que está sendo dito e sim para a imagem, as expressões.

Tem um documentário, não me lembro o nome - Spielberg participa - sobre como o cinema e a televisão trataram da Segunda Guerra. Falam que por muito tempo, nenhum sobrevivente queria falar sobre o assunto. É interessante pensar que talvez seja porque o silêncio tenha sido tão essencial.

Bom ver quando o personagem se recupera e como encontra antigos amigos como se estivessem estado de férias apenas, como se a guerra não tivesse sido grande coisa e se a guerra pode não ser grande coisa, que bom saber que dá pra aguentar seja o que for. 

Repulsion

É difícil dizer de uma forma que não fique brega, mas a coisa que mais me surpreende em Roman Polanski é como ele pode ser feminino, como ele consegue descrever sentimentos que, acredito, são primordialmente coisa de mulher. Não é muito masculino ter nojo das coisas relacionadas ao corpo, assim como não são pais que sonham com bebês deformados.

Repulsion é sobre solidão também. Catherine Deneuve sempre está ao lado de cadeiras vazias, espaços vazios, que ela encontra sujeiras e limpa freneticamente. Talvez solidão faça com que você sinta nojo das pessoas - quando foi que ela desistiu? Ou desistiram dela? O único momento em que ela parece se divertir é quando conversa com uma colega sobre um filme do Charlie Chaplin - sensação estranha, elas se tocavam de uma forma que eu tinha certeza que elas se beijariam - mas então, ela encontra a cabeça do coelho podre (que se parece com um cachorro) em sua bolsa.

Eu adoro a forma como ela olha com nojo para a cliente velha que faz tratamento de pele. Não responder quando se é chamada seria uma forma de não existir, de ser um fantasma, de nunca ter de ficar daquele jeito ou ter de se relacionar com outras pessoas, sejam as que apenas olham e comentam nas ruas ou os que tentam beijar - que nojo beijar alguém quando a imagem que se tem na cabeça é a de uma velha que, invariavelmente, estaria envolvida no futuro de pelo menos uma das pessoas que beija. 

Um furo na parede, bater cabeças, batatas podres. Eu adoro reconhecer esses elementos que se repetem em outros filmes, é como notar tiques nervosos em namorados - estar tanto tempo com uma pessoa que você vê essas coisas que ninguém mais vê, se sentir especial por isso, por ter passado esse tempo juntos.

Outra coisa que gosto é que com exceção da foto de infância, extremamente assustadora (morro de medo de fotos de famílias de outras pessoas, não se sabe quem está morto, quem está vivo, quem era bom, quem era mau) não existem flashbacks pra explicar porque ela é assim - uma menininha loira que viu os pais na cama, que foi abusada ou algo. Haveriam grandes diferenças se o filme fosse feito pra audiências de hoje. Primeiro que você não pode fazer com que a personagem delire sem que fique óbvio para a platéia que é um delírio. Catherine Deneuve viria a parede rachar, esfregaria os olhos e lá estaria a parede intacta - pra ficar claro e óbvio e chato. Usar uma câmera muito doida pra sonhos e delírios e tal, pra não deixar ninguém confuso… Fazer filmes com elementos bizarros hoje em dia é como ser professora de jardim de infância, tem de deixar claro pra não comer a cola.

Gosto que a Catherine Deneuve entra em casa com a bolsa aberta - porque ela precisa abrir a bolsa pra pegar a chave e ninguém abre a porta e fecha a bolsa antes de entrar, como fazem em todos filmes em que alguém chega em casa. São detalhes bobos mas que mostram dedicação, se há dedicação, há amor, há propósito e vida inteligente, são detalhes que o cara que escreveu Da Vinci Code não se importou em relevar, como albinos cegos em perseguições de carro e a falta de vontade (vontade!) de olhar um mapa de Paris e descrever as ruas adequadamente. 

Estou me desviando, mas vi um trecho uma vez do set de filmagem de Rosemary´s Baby em um documentário sobre o produtor Robert Evans, The Kid Stays ins The Picture. Um nano-segundo em que Roman Polanski ajeitava o braço de Mia Farrow sobre a mesa, ela tirava do lugar no mesmo instante e ele voltava e colocava o braço uns dois centímetros pra lá, no lugar que deveria ficar. Deve ser horrível trabalhar com alguém assim, mas como não amar o resultado ou, pelo menos, o esforço, esse esforço que ninguém mais tem, essa doença?

Amo, amo, amo, amo. 

Mean Streets

É definitivamente um dos melhores filmes do Scorsese e o que eu mais recomendaria fazendo ruídos de carinho e amor. Ooh, é tão bom, tão bom (e dou um abracinho mental em Scorsese, coisa que não faço mais há tempos)

Todo artsy-fartsy diz que X era melhor em tal época do que agora, eu sei, eu sei, mas The Aviator perto disso é vazio e sem importância.

A amizade que Robert De Niro, bastante jovenzinho, tem com o Harvey Keitel é das mais tocantes que já vi na história do cinema.

Não sabem mais filmar uma verdadeira amizade - e, não, Frodo e Sam não me inspiram amizade.

Uma relação mais ou menos parecida com a do Harvey Keitel e o Robert De Niro é a do Howard Hughes com a Ava Gardner, naquela bela cena em The Aviator em que Ava Gardner simplesmente o resgata de toda loucura e confusão de barbas insanas e salas cobertas de fitas adesiva, mas, mesmo assim, não é a mesma coisa.

Eles são todos uns moleques que brincam nas ruas e têm piadas internas. Robert de Niro briga como criança, dando chutes não muito bem direcionados e ameaçando com um pedaço de taco de sinuca, só pra afastar as pessoas de perto, não exatamente querendo acertá-las.

Me parece ter sido um filme barato de ser feito e ao mesmo tempo extremamente confortável no sentido de permitir longas cenas de traquinagem (lembra nouvelle vague, nesse sentido, só que eles são ítalo-americanos e há sangue e tal).

Não existe dúvida de que Goodfellas, After Hours e tal são todos muito cool, mas Mean Streets tem coração. Filme querido. 

Finding Neverland

Sabe, Johnny Depp, quer você goste dele ou não, poderia interpretar Charles Manson, Osama Bin Laden - ficaria perfeito! - ou Hitler, que todo mundo acharia adorável.

Ninth Gate e Secret Window, Pirates of the Caribbean - que são dos filmes comerciais mais desprovidos de qualquer graça de toda a história - são umas porcarias, mas isso nunca fez nenhum mal a ele. Nenhum. Não. Ele é invencível. É incrível.

Mesmo em um filme horrivelmente açucarado com um ou dois segundos de prazer… Dane-se. Eles têm Johnny Depp. Ele pode fazer qualquer coisa.

Se ele fosse preso por dirigir bêbado, depois de ter atropelado uma senhora com gêmeos, gritando que judeus são todos viados, que viados são tão ruins quanto os negros, que negros deviam voltar pra África, já que eles são tão inferiores quanto as mulheres, ele continuaria adorável. Sério.

Suspiria

Ler sobre o filme é um pouco mais interessante do que o filme de fato. A casa é genial, as cores - se não fosse pelos cabelos não daria pra saber quando foi feito.

Existem detalhes legais, como os vermes, o morcego e o ronco assustador. Quando criança, sempre morri de medo do ronco de uma tia, coisa horrível.

A música, apesar de adequada, é excessiva. Cansa de verdade.

Da metade pro fim, tudo fica um pouco mais bobo. A protagonista pensa em voz alta coisas que qualquer um já deduziu - não precisava ser tão óbvio sobre o que ela pensa e vai fazer, apenas mostre. E aí a bruxa parece a da Branca de Neve. Mas, ei, casa legal.

E eu queria muito saber onde já vi Joan Bennett antes. 

Godard is a ****ing bore

Aqui, Ingmar Bergman que, com 84 anos e ainda tentando acompanhar os novos lançamentos do cinema, dá sua opinião sobre diversos diretores. Fiquei extremamente feliz ao ler e ver que temos a exata mesma opinião sobre Welles, Fellini, Truffaut e Godard - e ele gosta de Soderbergh!

Me senti no caminho certo e fiz uma dancinha de vitória.

Kramer vs. Kramer

Uma coisa é olhar para os filmes dos anos 40 e suspirar e dizer "ooh, já não se fazem mais filmes assim", mas muito, muito mais triste é assistir um filme de 1979 e pensar que esse tipo de filme, esses tipos de atores estão todos mortos - bom, Meryl Streep e Dustin Hoffman estão vivos, mas o que quero dizer é que não existe um único ator ou atriz capazes de fazer um filme assim com a idade em que eles estavam e com tanta maturidade.

Vou falar baixo, mas imagine um R-E-M-A-K-E. Quem poderia fazer isso hoje? 

Escalariam, não sei, Collin Farrel que teria duas variedades de sobrancelhas na ampla gama de emoções humanas. E Charlize Theron. Chorando, com lama na cara - não sei como explicariam isso, mas estaria no seu contrato, todas as cenas, lama na cara. Charlize Theron não quer ser reconhecida por sua beleza, mas pela sua atuação (que é muito mais ou menos) que ascende daquela m*rda toda na cara dela.

É um filme tão simples e ninguém mais pode fazê-lo. Ninguém.

Tenho impressão de que havia um tempo em que os atores eram inteligentes e sensíveis. Eu olho para as fotos do Marlon Brando e penso que deveria ser ótimo só conversar com ele. Dustin Hoffman é outro grande favorito meu, mas está velhinho e com o cabelo de aparência muito áspera.

(Para parecer inteligente, é importante ter um cabelo macio)

Sério. Quem sobra? Eu achava que Scarlett Johansson poderia ser uma boa atriz, inteligente, madura e tal e, então, vi Match Point e entrei em depressão. Todos os atores jovens são como Lindsay Lohan agora - podem até ser mais ou menos competentes, mas você simplesmente não se sente atraído a conversar com eles. 

P.S.: É um dos melhores finais de filme que já vi. Simples, sutil, bonito. 

To Die For

Filme divertido do Gus Van Sant que me fez prestar atenção ao Joaquin Phoenix.

(Ileana Douglas só faz judia ou italiana. Judia. Italiana. O nariz abrangente, imagino.)

Nicole Kidman está bem. Coisa interessante, assim como o Tom Cruise, ela só fica bem em papéis dúbios. Ela e Tom Cruise nunca passam completamente por pessoas boas. Não acontece. Agora, veja Tom Cruise em Collateral, é perfeito. Nicole Kidman é assim também. Não consigo assistir Cold Mountain, Jesus, mas veja The Others - meio exagerada, a rigidez inglesa e tal, mas totalmente aceitável imaginar Nicole Kidman matando os próprios filhos.

Tom Cruise, então, deveria se aproveitar da fama que ganhou recentemente e só fazer papel de maluco, ele simplesmente não pode mais passar por alguém sensato, nem mesmo a audiência pode acreditar. Só Lestat - Tom Cruise, mais do que nunca, parece alguém que se alimentaria de sangue. Oscars garantidos. 

Kung Fu Hustle

Jesus, eu não acredito em toda a minha resistência pra ver esse filme! Mas, compreendam, é difícil, muito difícil aceitar um filme distribuído e divulgado como Kung Fusão. Algumas pessoas bastante inteligentes me falaram pra ver esse filme, mas entendam. Kung. Fusão. De novo. Kung. Fusão.

Então, eu vi Shaolin Soccer por acidente. Estava passando esses dias no Cinemax e fiquei encantada com personagens que ficam coçando o queixo, por nenhum motivo, e outro que fuma o tempo inteiro e outro que se parece - igualzinho! - com Bruce Lee e se veste como ele. Como tudo se parece com um desenho, como há um cuidado imenso com detalhes que só vão aparecer por microsegundos. E pelo adorável final (everybody was kung-fu fighting).

Eu estava na locadora, na verdade, procurando por Inside Man para alugar pros meus pais (só chega no dia 30, eu descobri) e passei por Kung Fu Hustle - eu nunca mais direi aquele nome. 

Jesus, é muito, muito bom. Muito bom. Eu vou comprar esse dvd. É muito mais interessante E bonito visualmente do que Crouching Tiger, House of Flying Daggers, Hero, tudo isso. E tem senso de humor. Ooh, tem senso de humor! Eu não pude assistir House of Flying Daggers sem cair no riso porque era tão sério, tão pretensioso, tão enormemente chato.

Ah, Kung Fu Hustle. No começo, me lembrava Chaves, se ele tivesse dinheiro, fosse chinês e fosse fã de Matrix. Depois, concluí que era um Cidade de Deus bom. Bonito visualmente e interessante de verdade. Eu comecei a ver com alguma resistência, sim, mas então tem a cena que imita um cartaz de Top Hat, a posição de Fred Astaire e Ginger Rogers, e o filme me ganhou naquele momento - que grande cena! Depois, depois, tem a cena que faz alusão a The Shinning, wow…

E que sensacional toda a idéia… Mestres de kung-fu vivendo entre nós em anonimato, exatamente como deveria ser a realidade.

(Filmes têm de retratar como deveria ser a realidade, não como ela é) 

Matrix, Kill Bill e até mesmo Spider Man, ah, as inúmeras referências ao cinema ocidental - e aos Looney Tunes! - sendo um filme extremamente, extremamente, asiático - a violência de anime, o flashback de infância - que combinação adorável.

É tão bonito da parte deles homenagear o cinema americano, a influência que Hollywood teve e têm em suas vidas, enquanto tantos coolsies negam sua própria infância, sua própria formação.. Shall we dansu é uma homenagem aos musicais. Takeshi Kitano faz a mesma coisa com Zatôichi, e isso tudo enquanto é repleto de sangue falso de Ichi, The Killer. Ouun.

Le Locataire

Ah, a sensibilidade européia para pequenos sentimentos muito específicos e bastante estranhos! Ah, os grandes narizes e as baixas estaturas!

É claro que não se pode negar os americanos em se tratando de cinema, eles continuam sendo os donos, os criadores e tudo mais, mas, oh, como os europeus tratam de coisas tão específicas e mesmo assim comuns como, por exemplo, o medo de organizações satanistas que estão atrás do seu bebê ou medo de ter bebês deformados ou com péssima personalidade.

Americanos - não estou reclamando, é uma constatação - fazem filmes sobre temas grandes e simplês, como vingança ou violência. Europeus fazem filmes sobre a vontade de se matar por consumir grandes porções de comida e mulher (La Grande Bouffe) ou a sensação de amor e ódio (!) para com quem te dá o conhecimento da vida civilizada e da coluna reta (L´Enfant Sauvage). É tudo muito peculiar e mesmo assim tão verdadeiro e humano quanto vingança ou violência.

Le Locataire é sobre a impressão de que todos ao seu redor, especialmente vizinhos, tentam, basicamente, fazer com que você abandone sua própria identidade, siga o exemplo dos antepassados e morra sem conseguir ser você mesmo. Além disso, se você se traveste também é culpa dos seus vizinhos. Nunca é você.

Eu vi muito pouco, mas adoro Roman Polanski. Assim como quando olho pro Adam Sandler, eu gosto dos olhos, do nariz, do rosto dele, do modo como ele anda. Há pouco tempo, vi um curta em que o Roman Polanski - que é muito melhor ator do que o Truffaut, que é como Truffaut provavelmente gostaria de ter sido - era uma espécie de escravinho de um senhor gordo. Ele dançava e conzinhava e tal. Nada sexual. Era uma graça e infelizmente não me lembro o nome.

Se From Dusk Till Dawn me lembra Cowboy Bebop pela coolness, tudo que vi do Polanski, especialmente The Fearless Vampire Killers or Pardon Me, But Your Teeth Are In My Neck (^_^), me lembra Les Triplettes de Belleville, as caracterísiticas físicas muito peculiares e, novamente, uma sensação muito específica de pesadelo.

(Les Triplettes de Belleville, por sua vez, me lembra muito The Man Who Was Thursday que, se algum dia fosse virar um desenho, o que seria sensacional, deveria ter o mesmo tipo de traço para os rostos e os corpos exagerados e a sensação de escuridão, tudo muito europeu)

Tenho medo de ver The Pianist e Oliver Twist e descobrir que Polanski passa por uma fase de fazer grandes filmes chatos pra ganhar Oscar como Scorsese, que era muito mais interessante e divertido na década de setenta e oitenta do que agora.

Fora isso tudo e o amorzinho que sinto ao olhar os olhinhos pedófilos de Roman Polanski, imaginando como teria sido passar por tudo aquilo com Sharon Tate e como ele consegue fazer filmes tão específicos e bons, me sinto contente por ver uma cena em que Isabelle Adjani e Roman Polanski namoram um pouquinho no cinema enquanto assistem Operation Dragon, exatamente na cena em que Jackie Chan aparece tendo o pescoço quebrado por Bruce Lee - e concluo que, wow, Jackie Chan esteve num filme de Polanski! 

 

UPDATE

M.L. achou o tal curta do Polanski-escravinho. Obrigada =) 

Coffee and Cigarettes

Eu gosto, sim, mas é o tipo de idéia que é tão pretensiosa e é realizada pretensiosamente - o preto e o branco, o longo silêncio entre alguns diálogos para mostrar a poeticidade dos rostos, bla bla, bem artsy - que me incomoda um pouco. Gosto do conteúdo, bastante, o conceito é todo muito bonito, mas não sei… Vi no cinema (está passando no Cinemax agora, o episódio com o White Stripes exatamente) com uma porção de indies que ficaram até o final dos créditos, balançando as cabeças de acordo com a música de uma forma incrivelmente blasé e empolgada ao mesmo tempo - eles precisam parecer blasé, mas ohh, eles adoram ver um filme de Jim Jarmush com Iggy Pop, de forma que os olhinhos deles, por trás daquelas caras chatas, brilhavam… É natural ter um pouco de nojo dessas coisas.

Broken Flowers já é muito mais sossegado nesse quesito. Meus pais conseguiram ver e se divertir (eles não gostaram do final, tho). 

Eu tentava fazer com que meus pais assistissem coisas do expressionismo alemão comigo - é um erro tão grande. Essas coisas não são feitas pra pais. Não precisam ser, hoje em dia, mas por que não? Por que não agradar os malditos indies e os meus pais ao mesmo tempo? Lost In Translation é o exemplo perfeito. Qualquer pessoa sensível gosta e agrada tanto a mim, que, hm, sou indie que odeia indies, quanto meus pais, minha vó.

Um filme realmente bom entra num equilíbrio perfeito (e tão difícil, por isso bom), não é algo totalmente estúpido e comercial, mas também não é um monológo de três horas e meia de um mímico. Todas essas coisas são fáceis demais de se fazer. 

Water Boy

Eu nem me importo com a garota wiccan, eu acho muito bom. Não muito-bom-Casablanca, mas muito-bom. Eu adoro Adam Sandler, eu confesso. Adam Sandler é a minha Sandra Bullock. Acho adorável. Gosto até de Spanglish!

Gosto das cores das roupas dos pais do Bobby Boucher, da Kathy Bates fazendo urrrrl, do flashback do treinador, do caipira que ninguém entende o que diz. Ghhslmcm Iwefmsl D mkl ll. Gosto do jogador estrábico, do Coronel Sanders, do Adam Sandler mentalizando pra atacar o oponente.

Eu adoro Adam Sandler. The Wedding Singer, Punch Drunk Love, é claro. Clássicos! - esqueçamos Little Nicky e aquele com a Winona Ryder. Adam Sandler, bom. Winona Ryder, mau. 

Kill Bill Vol.2

É ridículo eu falar de Kill Bill… Estava passando essa noite, peguei só o finalzinho e repeti as falas eu mesma, ao mesmo tempo que os atores, imitando as entonações e os gestos. Eu vi tantas, mas tantas vezes. Eu tenho histórias com Kill Bill. Eu briguei com um cineasta pra defender Kill Bill. Na verdade, pra defender Tarantino mesmo. Eu tenho um standee da Uma Thurman e fotos do set. Puh-lease…

Gremlins

Eu tenho o hábito de dormir com a tevê ligada. Sempre que acordo com algo bom passando, encaro como um "bom dia" diretamente de Deus através da minha televisão. Hoje, acordei com Gremlins passando e que boa sensação.

Eu sempre tenho medo de rever os clássicos da minha infância porque nem mesmo eu quando criança era muito criteriosa. É tão bom poder continuar a gostar das coisas de criança. 

Esses dias, revi um filme do Mel Brooks que eu adorava quando criança - o do Robin Hood - e não achei tão legal quanto eu achava. A decepção foi tanta que nem quis escrever sobre.

Gremlins, que bom, continua ótimo. As luzes, o roteiro, o Gizmo! Ooh, preciso ir na Liberdade procurar pelo Gizmo! 

 

From Dusk Till Dawn

Toda vez que eu assisto, eu fico empolgada, fico dando risinhos e soquinhos no ar, dizendo "que sensacional!" toda vez que o Tarantino aparece. Uma das coisas mais geniais sobre o filme é o Harvey Keitel ter um filho adotivo chinês. Sério. Qualquer filme que não se preocupasse muito colocaria duas crianças loiras chamadas Britney e Jimmy.

Tudo que é extremamente real por causa de excentricidades (sim, um filho adotivo chinês é uma excentricidade) e muito cool esteticamente me lembra Cowboy Bebop.

Em Cowboy Bebop, alguns vilões aparecem em apenas um capítulo e nunca mais voltam. Mesmo assim, eles se preocupam em criar uma história para o personagem que apareça através da aparência dele. Em From Dusk, o George Clooney tem uma tatuagem na mão, que é sempre meio coberta pelo paletó, não é para ser aquela cena do cara ameaçador, cheio de tatuagens que sempre fazem em filmes - há cuidado e personalidade.

A edição é perfeita, a música é perfeita. Realmente me lembra Cowboy Bebop.

Toda vez, toda vez, que eu vejo a cena da Salma Hayek acho sensacional na mesma intensidade que da primeira vez. Incrível esse fenômeno, continuar a se impressionar mesmo depois das três vezes, mais ou menos, que vi meu dvd com legendas em espanhol. 

Groundhog Day

Isso é um sonho. Um filme despretensioso que, eventualmente, se torna genial, além de parte da cultura pop. Lembro que em uma mesma semana, por coincidência, ouvi alguém dizer "it feels like Groundhog Day" em umas três sitcoms e/ou reality shows. É sensacional! E com Bill Murray! Bill Murray é bom até mesmo em filmes muito ruins, como Caddyshack. Acho que o segredo dele é que ele parece cansado. Ele é contrário do Jim Carey, que nunca, nunca, nunca conseguiria fazer um filme tão bom e simpático quanto Groundhog Day. Jim Carey faz piadas e contorções faciais e parece ficar esfuziante por isso, como se tivesse descoberto a cura da Aids. Bill Murray faz uma piada e parece se arrepender logo em seguida, ou se está numa fala mais longa, ele o faz, quase sem querer, sarcasticamente, o que deixa tudo muito mais engraçado.

Além disso, Groundhog Day é um filme filosófico (sim! grandes lições de vida lá!) com a intenção primordial de ser só engraçadinho e sem importância quando todos os filmes, em maioria, são sem importância, sem graça e tentam ser filosóficos e muito sérios e cheios de significado (vide Bruce Almighty). Não é maravilhoso quando acontece?

Shutter

Não consegui ver de novo. Vi no cinema. Aluguei agora, pra ver de novo, e não consigo. Cheguei na parte da sala vermelha, logo no início, falei "não consigo" em voz alta e parei. Talvez por eu estar sozinha, não sei. Filmes extremamente assustadores sempre me dão essa sensação de melhor-parar, mas eu nunca páro porque essa sensação, a de melhor-parar, é ótima. Ela só vence quando o filme é muito horrendo (num bom sentido) e eu sou momentaneamente muito bicha. Acontece pouco, eu desistir de ver um filme de terror. Na verdade, não me lembro qual foi a última vez. Então, Shutter, I salute you! Pior quando não há a sensação de "deixa-eu-mudar-de-canal-porque-estou-morrendo-de-medo", tipo com The Grudge americano, que é mais "deixa-eu-mudar-de-canal-porque-isso-é-ruim-e-está-passando-Changing-Rooms"

Fora o fato de eu estar comendo uma tigela de cereais nervosamente, com as costas tortas na direção do laptop, a qualidade do dvd é bastante ruim. Colocaram um menu todo cheio de coisas, mas a condição do filme é horrível, o que faz mal pra quem não viu no cinema, ambiente ideal para a  tortura. 

Jesus!

Encontrei isto no Libertas:

 “Hollywood has become an assembly line, not unlike GM, where it churns out the same old, same old year after year […] Trying to play it safe, not taking any risks, and giving the people what they think the people need as opposed to listening to them and asking them what they would like […] We all walk into the theatre hoping to see something that . . . will take us back to that sense we had when we first started seeing movies, that sense of awe and wonder […] It’s rare to have that feeling today […] For me, a great movie is a movie that takes me someplace I’ve never been before, that leaves me with a feeling of exhilaration, that sends me out of the theatre perhaps more enlightened. And the best ones of all give me a good, hearty laugh.” Michael Moore

É como o que eu ouvi no SPtv ontem à noite, Quércia dizendo que vai industrializar São Paulo… 

Sleepless in Seattle

Não sei porque People and Arts está exibindo isso. A essa hora, já estaria passando o comercial da Polishop, Astro Juicer, Slim Control e tal. De qualquer forma…

No começo da Internet, eu marquei um encontro. Ficavamos pensando nesse filme e achavamos tudo muito romântico (esse e 84 Charing Cross Road). Enfim, foi um péssimo namorado. Coincidence? I think not!

Agora, eu posso ver que o filme é sobre lixo branco. Como eles se sentem afetados por programas de rádio e filmes. Meg Ryan e Rosie O´Donnel todas bregas, falando de sinais. Lixo branco.