Ah, a sensibilidade européia para pequenos sentimentos muito específicos e bastante estranhos! Ah, os grandes narizes e as baixas estaturas!
É claro que não se pode negar os americanos em se tratando de cinema, eles continuam sendo os donos, os criadores e tudo mais, mas, oh, como os europeus tratam de coisas tão específicas e mesmo assim comuns como, por exemplo, o medo de organizações satanistas que estão atrás do seu bebê ou medo de ter bebês deformados ou com péssima personalidade.
Americanos - não estou reclamando, é uma constatação - fazem filmes sobre temas grandes e simplês, como vingança ou violência. Europeus fazem filmes sobre a vontade de se matar por consumir grandes porções de comida e mulher (La Grande Bouffe) ou a sensação de amor e ódio (!) para com quem te dá o conhecimento da vida civilizada e da coluna reta (L´Enfant Sauvage). É tudo muito peculiar e mesmo assim tão verdadeiro e humano quanto vingança ou violência.
Le Locataire é sobre a impressão de que todos ao seu redor, especialmente vizinhos, tentam, basicamente, fazer com que você abandone sua própria identidade, siga o exemplo dos antepassados e morra sem conseguir ser você mesmo. Além disso, se você se traveste também é culpa dos seus vizinhos. Nunca é você.
Eu vi muito pouco, mas adoro Roman Polanski. Assim como quando olho pro Adam Sandler, eu gosto dos olhos, do nariz, do rosto dele, do modo como ele anda. Há pouco tempo, vi um curta em que o Roman Polanski - que é muito melhor ator do que o Truffaut, que é como Truffaut provavelmente gostaria de ter sido - era uma espécie de escravinho de um senhor gordo. Ele dançava e conzinhava e tal. Nada sexual. Era uma graça e infelizmente não me lembro o nome.
Se From Dusk Till Dawn me lembra Cowboy Bebop pela coolness, tudo que vi do Polanski, especialmente The Fearless Vampire Killers or Pardon Me, But Your Teeth Are In My Neck (^_^), me lembra Les Triplettes de Belleville, as caracterísiticas físicas muito peculiares e, novamente, uma sensação muito específica de pesadelo.
(Les Triplettes de Belleville, por sua vez, me lembra muito The Man Who Was Thursday que, se algum dia fosse virar um desenho, o que seria sensacional, deveria ter o mesmo tipo de traço para os rostos e os corpos exagerados e a sensação de escuridão, tudo muito europeu)
Tenho medo de ver The Pianist e Oliver Twist e descobrir que Polanski passa por uma fase de fazer grandes filmes chatos pra ganhar Oscar como Scorsese, que era muito mais interessante e divertido na década de setenta e oitenta do que agora.
Fora isso tudo e o amorzinho que sinto ao olhar os olhinhos pedófilos de Roman Polanski, imaginando como teria sido passar por tudo aquilo com Sharon Tate e como ele consegue fazer filmes tão específicos e bons, me sinto contente por ver uma cena em que Isabelle Adjani e Roman Polanski namoram um pouquinho no cinema enquanto assistem Operation Dragon, exatamente na cena em que Jackie Chan aparece tendo o pescoço quebrado por Bruce Lee - e concluo que, wow, Jackie Chan esteve num filme de Polanski!
UPDATE
M.L. achou o tal curta do Polanski-escravinho. Obrigada =)