Coffee and Cigarettes
Eu gosto, sim, mas é o tipo de idéia que é tão pretensiosa e é realizada pretensiosamente - o preto e o branco, o longo silêncio entre alguns diálogos para mostrar a poeticidade dos rostos, bla bla, bem artsy - que me incomoda um pouco. Gosto do conteúdo, bastante, o conceito é todo muito bonito, mas não sei… Vi no cinema (está passando no Cinemax agora, o episódio com o White Stripes exatamente) com uma porção de indies que ficaram até o final dos créditos, balançando as cabeças de acordo com a música de uma forma incrivelmente blasé e empolgada ao mesmo tempo - eles precisam parecer blasé, mas ohh, eles adoram ver um filme de Jim Jarmush com Iggy Pop, de forma que os olhinhos deles, por trás daquelas caras chatas, brilhavam… É natural ter um pouco de nojo dessas coisas.
Broken Flowers já é muito mais sossegado nesse quesito. Meus pais conseguiram ver e se divertir (eles não gostaram do final, tho).
Eu tentava fazer com que meus pais assistissem coisas do expressionismo alemão comigo - é um erro tão grande. Essas coisas não são feitas pra pais. Não precisam ser, hoje em dia, mas por que não? Por que não agradar os malditos indies e os meus pais ao mesmo tempo? Lost In Translation é o exemplo perfeito. Qualquer pessoa sensível gosta e agrada tanto a mim, que, hm, sou indie que odeia indies, quanto meus pais, minha vó.
Um filme realmente bom entra num equilíbrio perfeito (e tão difícil, por isso bom), não é algo totalmente estúpido e comercial, mas também não é um monológo de três horas e meia de um mímico. Todas essas coisas são fáceis demais de se fazer.