The Pianist

Não é tão ruim quanto eu pensava. Na verdade, é bastante bom. Minha resistência se dava por causa da divulgação do filme. Por todos os cantos, estava lá Adrien Brody chorando entre escombros e contorcendo ainda mais o nariz.

Sério, quão atraente pode ser isso?

Você sabe que é um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, você sabe que vai ser deprimente, que não vai ser feel-good movie, pra quê colocar fotos do Adrien Brody chorando desesperadamente por aí? A conclusão óbvia é a de que vai ser MUITO deprimente assistir, que vai ser excessivamente dramático e apelativo - não que não tenha sido dramático, mas por que não ter delicadeza?

Alguns sobreviventes, em entrevistas, narram as piores coisas do mundo em um tom muito sereno e calmo. Eles não choram. Tenho impressão de que alguns diretores escolhem esses sobreviventes e têm como meta fazê-los chorar, de qualquer forma. 

Tenho impressão de que as pessoas que passaram por aquilo são muito mais bem resolvidos do que se imagona. Roman Polanski perdeu a mãe em um campo de concentração e fez o filme mais delicado sobre Segunda Guerra.

The Pianist é ensolarado. Pessoas morrem enquanto as ruas estão laranjas de tanto Sol, em dias realmente muito bonitos, o que seria inconcebível para Spielberg. 

As cenas que realmente são cinzentas e pesadas parecem ser assim apenas por causa das estações em que os fatos ocorreram - há uma preocupação com as datas exatas.

É bonito, genuinamente bonito.

Existem pessoas más na resistência, nazistas que não são tão ruins assim, são todos humanos. Ninguém é uma caricatura (a não ser o irmão do Adrien Brody, que é um comunista chato que sempre fala exaltado).

Outra coisa interessante é o silêncio que o persongem do Adrien Brody precisa ficar para não ser notado nos apartamentos em que se esconde - se as pessoas respeitaram esse silêncio no cinema, deve ter sido uma experiência maravilhosa porque tenho a impressão de que é apenas no silêncio que as pessoas realmente se conectam, porque a atenção não é desviada para o que está sendo dito e sim para a imagem, as expressões.

Tem um documentário, não me lembro o nome - Spielberg participa - sobre como o cinema e a televisão trataram da Segunda Guerra. Falam que por muito tempo, nenhum sobrevivente queria falar sobre o assunto. É interessante pensar que talvez seja porque o silêncio tenha sido tão essencial.

Bom ver quando o personagem se recupera e como encontra antigos amigos como se estivessem estado de férias apenas, como se a guerra não tivesse sido grande coisa e se a guerra pode não ser grande coisa, que bom saber que dá pra aguentar seja o que for. 

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