The Prestige

Sempre que assisto um filme, penso no que posso falar sobre ele. É um vício, não de todo ruim, mas vício, de qualquer forma. Assim segue meus pensamentos:

Hm. Voz over. Er. Michael Caine, um passarinho e uma menininha loira, eca.

Tá.

Eu gosto do Michael Caine, mas meio mundo acha que ele é horrível. Ei, é o segundo filme do Chistopher Nolan com o Michael Caine. Ele era o Alfred em Batman Begins… Deve ser o Travolta dele.

Deus. Essas garotas que chegam atrasadas não podem nem mesmo se abaixar ao passar na frente da tela? Elas não tem vergonha? E entram conversando!?

Ei, o Hugh Jackman não tinha morrido?

Ah, seria legal falar sobre o sistema de classificação desse cinema. Ao lado da bilheteria, havia um letreiro indicando que The Prestige era impróprio para menores de 14 anos por conter cenas de violência e suicídio - Pô, tem um suicídio no filme, como assim eles ME CONTAM que tem um suicídio no filme? Quem se suicida?

Ah, eu acho que é um flashback.

Deus. Todo mundo tem de falar em voz over? Ele tem "escrever" o que está pensando nesse momento?

Tá, tudo bem.

Olha, é um flashback dentro de um flashback.

Ei, acho que a platéia não aguentaria isso se não fosse por Lost. Recentemente, meus pais assistiram todos os episódios da primeira e segunda temporada de Lost em dvd e foi interessante ver como eles acompanhavam essa coisa de flashback. A maioria dos cineastas/executivos subestimam as pessoas, acham que elas não são capazes de entender ou aceitar alguns recursos. Geralmente, elas não são, mas é só questão de acostumá-las. Por exemplo, é PRECISO acostumar as pessoas com finais abertos porque, Jesus… Mas estou fugindo do assunto. Meus pais são espectadores normais. Eles reagem bem ou mal de acordo com uma platéia média comum - é ótimo observá-los, sabe, pra ver como os filmes são assistidos por pessoas normais. Eles não são burros, mas eles precisam se acostumar com uma série de coisas. Por exemplo, Lost foi uma questão de se acostumar. Os primeiros episódios eram esquisitos pra eles. Meu pai dizia, "hm, então agora vão contar o passado desse?" e eu dizia "sim, é assim que a série funciona". Lost é uma contribuição para o cinema. Graças a Lost que meus pais conseguem aceitar The Prestige mais facilmente. Antes, o filme seria rejeitado por ir e voltar demais (como Memento). Agora, por causa de Lost, é possível aceitar filmes assim. Sério, as pessoas devem muito a Lost. Sério mesmo.

Ei, esse filme está me dando medo…

Elas não podem calar a boca?

…Mas, sério, é tenso. Toda apresentação, eu acho que algo terrível vai acontecer. Legal.

Ei, estou SENTINDO algo em um filme do Christopher Nolan. Legal.

Continua sendo um filme do Christopher Nolan - it´s written all over - mas, ei, eu não estou dormindo e eu realmente me importo com os personagens. Legal mesmo!

Droga, já não posso fazer uma teoria de que existe uma nova tendência em que jovens diretores filmam tudo muito adequadamente mas não conseguem fazer você se importar com os personagens.

Ei, você viu aquele trailer do diretor do Harry Potter? Com o Clive Owen? Era, tecnicamente, de fazer chorar, mas, ao mesmo tempo, eu me sentia distante.

Mas, ei, eu estou realmente me importando com o Hugh Jackman.

Que postura maravilhosa ele tem.

Ei, olha, o mordomo do The Nanny, fazendo mais um inglês. Ele é texano, sabia?

Por que as pessoas não param de fazer filmes em que as pessoas precisam forjar sotaques? Ninguém fala inglês com sotaque francês em Marie Antoinette, por que não fazem assim? Oh, você viu o sotaque horrível do Paul Giamatti naquele trailer de The Ilusionist? Horrível! Me lembra daquele filme em que John Malkovich fazia Murnau e ele falava inglês com um pseudo-sotaque alemão. O simples fato deles estarem falando em inglês já não provoca o distanciamento suficiente? O sotaque só atrapalha.

Mas até que ninguém está com um sotaque muito terrível…

Ah… Scarlett Johansson… 

Oh, Scarlett Johansson… O que devemos fazer com você? Você está tão abaixo do resto do elenco do filme… Eu não acredito que você ama ou odeia o Hugh Jackman, você jamais seria capaz de mostrar tanta intensidade. Oh, Scarlett Johansson… Por que você não ficou com as mulheres cools? Que jamais gritariam ou teriam sotaque… Pffiu.

Ei, o filme está caminhando bem agora. O começo era bem chato, todo expositivo e explicativo (como Batman Begins é até o final) e agora as coisas estão indo bem, sabe? A voz over está como estilo mesmo. Ok, eu aceito.

Jesus. Preciso ir no banheiro.

Deus. Ela atendeu o celular. Eu não acredito.

Ei, dá pra sair pra ir no banheiro. Olha, nem fiz falta.

Hm. Ok.

TESLA! Legaaal. David Bowie.

Ei, as revelações estão nos momentos certinhos… Assim que eu começo a compreender tudo e me acho mais espertinha que o filme, o filme se entrega e mostra o que acabei de concluir. Muito bem.

Muito bom.

Cara, eles devem muito a Lost… Não só pelo flashback, mas pelo conteúdo também.

Andei lendo demais sobre o pós-modernismo? Provavelmente. Mas ei, bem Ringu isso. Jesus, acho que estou associando demais. Ou não? *fazendo voz cretina de documentário de Michael Moore* Hm. 

Eu não acredito que ela vai atender o celular DE NOVO.

Ei, já é 20h… O filme tem duas horas e meia? Ahm. Não é hora de terminar?

Está tudo muito bem. Hm. Sim, sim.

Legal… Já entendi.

Ok. Eu entendi.

Tá. Já entendi. Pode terminar, filme.

Ah, eles realmente precisam explicar tudo? Caso alguém não entendesse…

Terminou. Yay!

Mas é bom, é bom.

Mas, sério, as pessoas devem muito à Lost… Ou Lost capturou o espírito atual das coisas… Não sei. 

Mas bom. Meio longo, mas bom. 

 

Tokyo Zombie

tokyozombie

 

 

Com o risco de estar dizendo uma grande bobagem já que eu não entendo nada (e não quero entender, sinceramente) de cinema latino-americano, vou fazer afirmações arbitrárias e generalizões incorretas porque é legal; Os filmes japoneses de agora representam tudo que é oposto com relação ao cinema latino-americano. Nada é sério no cinema atual japonês. Nem mesmo violência, ou estupro. Nenhum filme japonês tenta retratar uma condição seríssima. Nada é sagrado. As regras são quebradas o tempo todo.

Filmes latino-americanos, e grande parte dos americanos, se levam à sério, como Sean Penn. Eles querem fazer você chorar, enfiam câmeras nas ruguinhas de velhinhos argentinos tristonhos. É horrível.

Tokyo Zombie te leva até a fronteira do que é emocionate e inverte toda a situação. A despedida mais triste vem acompanhada de uma risada - a despedida não é assim tão importante… Relaxe. Tudo é cartunesco.

Tarantino é um dos poucos que não estão realmente preocupados com possíveis impactos sociais, políticos, etc.. Quando questionado sobre se seria bom para a América fazer filmes tão violentos, ele disse que não fazia filmes para a América, mas para o Planeta Terra. Ele sempre disse que sua principal missão, como cineasta, seria fazer com que a violência deixasse de se tornar tabu.

O cinema japonês faz isso: Pega todas as coisas ruins e inverte a situação. Ri delas, brinca, imita e as coisas ruins simplesmente se transformam…

Filme sensacional, esse do Charlie Brown. 

Anti-escolas-de-cinema

Eu pensei que talvez eu estivesse escrevendo sobre isso por motivos pessoais. Eu estudo cinema, ele é contra escolas de cinema. Depois, percebi que eu já não ia muito com a cara dele antes de saber disso e que, na verdade, tudo deveria ser descaradamente pessoal, certo? Um professor me deu uma nota mais baixa porque eu o corrigi sobre algo relacionado a Truffaut. Ele disse uma besteira e eu apareci com um trabalho que dizia o contrário do que ele havia dito e com as próprias palavras do Truffaut. Resultado: Um sermão indireto de meia hora sobre como não se deve levar em conta a opinião do diretor, que pode ser uma declaração falsa, etc., e uma nota seis em um trabalho que valia sete. Mas estou me desviando do assunto.

Eu nunca fui muito com a cara do Robert Rodriguez. Sin City é ótimo, claro, mas não se compara a Pulp Fiction. Todos os alunos de cinema comparam Robert Rodriguez a Quentin Tarantino. É inevitável. Tarantino tem um senso de timing perfeito, Rodriguez não (Sin City, assim como Pulp Fiction, é episódico e, em Sin City, há alguns capítulos que são cansativos. Pulp Fiction é perfeito). Tarantino constrói o visual de cada cena (Em Kill Bill Vol.1, na cena em que Hattori Hanzo entrega a espada para Beatrix Kiddo, existem fotos de Hanzo no fundo, junto de livros cuidadosamente escolhidos.) Rodriguez não se importa nem mesmo com coordenação de cores. (As cores de Spy Kids são horríveis) E assim por diante…

Tarantino e Rodriguez são contra escolas de cinema, por assim dizer. Tarantino diz que tudo que ele aprendeu veio da mera experiência de se assistir filmes e acho sensacional que ele seja capaz disso, mas não acho que qualquer pessoa possa ter tanto talento. Rodriguez, por exemplo. (Ou eu mesma. Eu precisei da aula de um professor/cineasta sensacional para entender como Citizen Kane é genial.) 

Rodriguez diz que se você frequenta escolas de cinema, você acaba fazendo filmes como todo mundo. (muitos erros de gramática nesse link em que ele ensina, em dez minutos, como ser um cineasta, mas ok, Tarantino também não é muito bom com gramática, e eu realmente não acho que isso seja necessário para se fazer filmes sensacionais).

Mas… Geez… Por que não passar por uma educação? Por que não discutir com outros profissionais e colegas? Não é lavagem cerebral.

Eu participei de um dos momentos mais memoráveis da minha classe - a defesa fervorosa que fiz de Tarantino contra um professor que achava que ele era apenas uma fraude, que simplesmente copiava outros filmes. Viu? Existe contestação em escolas de cinema. Só os alunos mais estúpidos acabam concordando com os professores mais estúpidos e, garanto, eles não vão ter sucesso, então, tenham calma.

Estudar cinema tem me feito bem. Às vezes, por acidente. Às vezes, porque os professores ensinam coisas tão absurdas como corretas que eu, numa aplicação prática futura, sei que devo realizar exatamente o oposto. Muitos professores ensinam besteiras, outros ensinam boas coisas - de verdade - e eu gosto de pensar que tenho discernimento suficiente para saber o que tem valor e o que é descartável. 

Escolas de cinema não acabam com o seus sensos artístico ou criativo - eles só precisam ser cultivados e mantidos, desde o início. 

Hm.

Hm. É um pouquinho interessante Borat estar na posição número um dos filmes mais vistos e The Departed em quinto.

Pouco antes de lançarem Borat, os executivos resolveram diminuir a quantidade de cinemas que exibiriam o filme achando que o fenômeno não passaria da Internet - bom, agora sabemos que executivos são umas bestas, huh? 

Mas, enfim, por que as pessoas preferem assistir Borat ao invés de The Departed?

The Departed é de interesse comercial E artístico. É o filme que todos dizem que, finalmente, vai dar o Oscar para Martin Scorsese. É com Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson… O que é Borat? Quanto custou?

Estamos numa fase muito interessante. Você tem Tom Cruise sendo despedido, filmes como Flags of Our Fathers sendo um desastre de bilheteria, Superman também não rende o suficiente… O que as pessoas querem ver? Diretores renomados não são mais o suficiente, propaganda política já não atrai mais ninguém (isso é tão 2005, puh-lease!), nem mesmo filmes puramente comerciais valem a pena - eles ainda ganham bilhões, mas não tantos bilhões pra cobrir todos os que foram gastos pra fazer os filmes. Todos os astros que encabeçavam listas de mais bem pagos sumiram. Simplesmente cancelaram um filme com Jim Carrey.

Então. Os executivos estão perdendo algo. Por um lado, há essa nova tendência: Você não deve mais gastar bilhões e bilhões porque as pessoas não vão ver. Por outro, o que fazer? Eles não fazem idéia.

Borat surgiu da HBO. HBO, que tem como slogan "It´s not TV, it´s HBO", é a produtora mais premiada da televisão, conhecida por aceitar qualquer conteúdo, desde que haja conteúdo, sem se perguntarem "mas quem veria uma série sobre uma família de agentes funerários?". Esses dias, vi Lauren Bacall nos Sopranos. Dude, Lauren Bacall. Será que as pessoas querem conteúdo?

Agora, é claro que recorde de bilheteria nem sempre quer dizer que o filme tem qualidade. Geralmente, é o oposto. Antes de Borat, era Saw III que estava em primeiro lugar. Mas, de vez em quando, surgem sucessos financeiros que, acidentalmente ou não, têm grandes qualidades. Borat está para se tornar/ou se tornou a comédia de maior bilheteria da história do cinema - as pessoas querem isso. Isso: Sem grandes atores, grandes diretores, apenas conteúdo.

Claro, eu entendo que qualquer idiota pode gostar de Borat - e é isso que deve estar acontecendo - mas o fato de que existe conteúdo ali e nada muito além disso, digo, sem astros, sem uma quantia absurda gastada só na publicidade, é, no mínimo, excitante. 

Kevin Spacey

Re-assistindo Superman, tento gostar do filme mas é realmente difícil - parei no meio. Apesar disso, não consigo pensar em algum outro crédito de abertura que fosse tão emocionante. Talvez seja a música, que é excelente e há anos que não fazem algo assim. Mas, então, oh, é tão fácil perder a atenção. Em dado momento, tive de decidir na minha mente o que era mais memorável, logo, digno de atenção: Kevin Spacey ou minha cachorra tentando entrar embaixo da lareira; Ela tenta, tenta, abaixa a cabeça, olha, volta, dezenas de vezes e então corre pra baixo, toda agachada, deixando as patas traseiras esticadas pra fora. Muito melhor que o Kevin Spacey.

Agora, na HBO, está passando os créditos finais de The Life Aquatic e eu parei de escrever agora pouco pra ver, de novo, o tubarão-jaguar. Filmes bons fazem isso: Você pára de fazer o que está fazendo e opta por aquele universo. Quando você opta pela sua própria sala, sua própria unha, seu próprio cachorro, algo está obviamente errado. Agora, estou digitando enquanto o Seu Jorge toca porque eu realmente não quero prestar atenção ao Seu Jorge e estou me forçando a ter flashbacks mentais (para me limpar de Seu Jorge) da minha cachorra entrando debaixo da lareira - talvez, o ideal fosse Bill Murray tentando entrar debaixo da lareira, sem Seu Jorge, sem Kevin Spacey.

Kiri kiri kiri

Passei o dia brincando com Audition no Adobe Premiere, selecionando e cortando as cenas mais violentas. O efeito é o contrário do que se pensa, gosto ainda mais do filme. Gosto ainda mais da tortura. É incrível.

Tarantino é cruel

A experiência de assistir a um filme pode ocorrer de duas formas: Simplesmente assistir ou analisar e estudar profundamente. O ideal é conseguir fazer os dois - velhinhos chineses ensinam essa arte. Tentar compreender um filme completamente pode ser divertido, ao contrário do que se pensa, pelo puro prazer de poder, digamos, assistir a um filme de Howard Hawks com Cary Grant e sentir que você e o diretor de Kill Bill sabem do segredo.

Caçei as referências de Kill Bill como uma matadora de aluguel. Consegui bastante coisa e acho que eu poderia ter uma conversa bastante animada com o Tarantino - bom, eu tenho um blog chamado Lady Snowblood..

É divertido. Trabalhoso, mas realmente divertido. Mas a maior parte do tempo, Tarantino só me mostra como o conhecimento dele é muito, mas muito superior ao meu - o que é admirável, mas odioso também.

Só ontem, percebi mais uma indicação cinematográfica do Tarantino em Kill Bill Vol.1, depois de estudos voluntários e involuntários de anos.

Lembra do "Charlie Brown"? Que atendeu a O-Ren Ishii e seus guarda-costas? Bom, além de ser um wink pra Sofia Coppola, o ator que fez o Charlie Brown é roteirista de Ichi - The Killer, do Takashi Miike, roteirista também da animação sobre Ichi, que está aqui, no meu computador, esperando por mim e diretor de Tokyo Zombie, filme que me mostraram o comecinho ontem e eu achei simplesmente sensacional.

É tanta coisa… A crazy-88 que é filha de não-me-lembro-quem, a fala que faz referência a um comercial japonês, todas as indicações e pequenas homenagens das coisas mais variadas possíveis. É tanta coisa… É cruel.

*

 

Tadanobu Asano está se tornando sinônimo de filme bom pra mim, assim como Tony Leung Chiu Wai. Asano fez:

 

Tokyo Zombie - Ele está parecendo o Spike Spiegel.

Takeshis - Ainda não vi, mas é o tipo de filme que eu já amo antes de ver.

Zatoichi - Vi, amo.

Ichi - The Killer - Ele é mais interessante que o Ichi.

 

Todos projetos muito bons e ligeiramente alternativos. Uma espécie de Johnny Depp japonês.

 

Chiu Wai fez:

 

2046 - Três palavras: Clark Gable chinês.

Hero - Não é meu favorito, mas eu entendo que se deva celebrar esse tipo de filme e o Chiu Wai é mil vezes melhor do que o Jet Li.

Inffernal Affairs - Eu realmente me apaixonei por ele por causa desse filme. Vai ser terrível ver The Departed sem Chiu Wai.

 

Ooof #42

Eu queria poder dizer que não estou tendo muito tempo para postar porque estou indo na Mostra todo dia, que comprei aquele pacotão de ingressos por trezentos e tantos reais e tudo mais, mas a verdade é que é final de semestre e estou ocupada fazendo trabalhos de ciências sociais e lendo ensaios sobre comunicação.

De qualquer forma, já tenho The Departed baixado, esperando por mim. Não sei em que momento esses filmes vazam para a Internet, mas fiquei impressionada com a rapidez da disponibilidade. De verdade, uma coisa muito pós-moderna, que remete ao arte pop e tal… É incrível essa fase pós-fotográfica que vivemos e bla bla.

Ai, morri

Takeshi Kitano nos anos 80. Takeshi Kitano sapateando.