Tokyo Zombie

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Com o risco de estar dizendo uma grande bobagem já que eu não entendo nada (e não quero entender, sinceramente) de cinema latino-americano, vou fazer afirmações arbitrárias e generalizões incorretas porque é legal; Os filmes japoneses de agora representam tudo que é oposto com relação ao cinema latino-americano. Nada é sério no cinema atual japonês. Nem mesmo violência, ou estupro. Nenhum filme japonês tenta retratar uma condição seríssima. Nada é sagrado. As regras são quebradas o tempo todo.

Filmes latino-americanos, e grande parte dos americanos, se levam à sério, como Sean Penn. Eles querem fazer você chorar, enfiam câmeras nas ruguinhas de velhinhos argentinos tristonhos. É horrível.

Tokyo Zombie te leva até a fronteira do que é emocionate e inverte toda a situação. A despedida mais triste vem acompanhada de uma risada - a despedida não é assim tão importante… Relaxe. Tudo é cartunesco.

Tarantino é um dos poucos que não estão realmente preocupados com possíveis impactos sociais, políticos, etc.. Quando questionado sobre se seria bom para a América fazer filmes tão violentos, ele disse que não fazia filmes para a América, mas para o Planeta Terra. Ele sempre disse que sua principal missão, como cineasta, seria fazer com que a violência deixasse de se tornar tabu.

O cinema japonês faz isso: Pega todas as coisas ruins e inverte a situação. Ri delas, brinca, imita e as coisas ruins simplesmente se transformam…

Filme sensacional, esse do Charlie Brown. 

7 Comentários »



  1. Sendo leitor assiduo de vosso blog e ateh certo ponto admirador de vossos comentarios, peco encarecidamente que considere com seriedade a possibilidade de aprender japones e/ou morar no Japao. Ou pelo menos alguns meses de artes marciais. E DEPOIS disso, reavaliar seu gosto por Kitano, por Tarantino e etc.

    Nao que voce vah desgostar deles: serah como Da Vinci descobrindo a perspectiva.

    Eu tambem tentei entender o Japao sem estar aqui quando jovem. As coisas mudam.


    por @Tokyo — November 20, 2006 @ 5:16 am


  2. Eu estudo japonês sempre que tenho tempo livre.

    Eu adoraria visitar o Japão, mas não tenho como.

    De qualquer forma, meu fascínio é obviamente estrangeiro. Gosto muito de Lafcadio Hearn. Apesar de ter sido um estudioso das coisas japonesas e de ter se naturalizado como japonês, ele nunca deixou de se surpreender.

    Eu vou ser sempre estrangeira.


    por ladysnowblood — November 20, 2006 @ 7:08 am


  3. Milady, ninguem se torna japones, nunca. Nao eh isso que lhe peco.

    Vah ateh o consulado japones aih no Rio, ou em Sao Paulo, tente uma bolsa do governo japones, venha aqui a este paihs para que este fascinio, sempre estrangeiro, tenha mais nuance, mais material, mais referencias. Mudaria sua vida. E estah ao seu alcance.

    Voce, que tem tantas coisas bonitas pra dizer, poderia dize-las todas com o ar elegante de uma bailarina que faz ponta sem ter medo do chao. (Porque convenhamos, agora the floor is looking back at you, nao?)


    por @Tokyo — November 21, 2006 @ 5:34 am


  4. A proposito: jogue fora Lafcadio Hearn, esse amador sem dinheiro no bolso nem amigos importantes. (Mentira, nao jogue fora. De uma pausa.)

    Importante mesmo eh Luis Froes. Seu “Historia de Japam” pode ser encontrado em boas livrarias lusitanas ou mesmo na Internet. Leia djah! DJAH! Mesmo porque eh em portugues, ainda que antigo.


    por @Tokyo — November 21, 2006 @ 5:42 am


  5. Ah, sim, Charles Boxer tambem.


    por @Tokyo — November 21, 2006 @ 5:59 am


  6. Ahm… Geez. Acho, ahm, difícil que seja assim tão fácil simplesmente mudar para um outro país e viver lá com um mínimo de conforto. Além disso, se fosse assim tão possível, existem mil questões pessoais, desde “como vou viver sem meus cachorros?” ao puro medo de ir sozinha pra um lugar tão longe. E, ahm, dinheiro. Porque ir de econômica até o Japão deve ser um pesadelo. Enfim, não vejo como.

    Não me entenda mal, eu adoro conselhos de estranhos (mesmo) e eu realmente tenho interesse no assunto. Mas por que EU devo ir ao Japão? Ou é um conselho geral? “Visitem Tokyo e morram”?


    por ladysnowblood — November 21, 2006 @ 6:59 am


  7. *EDITADO PELA DONA DO BLOG:*

    >Apesar de Takeshi Kitano ser um dos poucos asiáticos que conseguiram colocar, >pelo menos, dois filmes dentro de uma Blockbuster comum (Brother e Dolls, sempre >lá, disponíveis na seção de “interesse especial”), é incrível como é inacessível.

    Nao eh nao. Ele estah logo ali. *QUIS DIZER LITERALMENTE. ELE NÃO ESTÁ LOGO ALI, NÃO É FÁCIL CONSEGUIR VER TODOS OS FILMES DELE*

    >É lindo. Sempre que assisto um filme de Takeshi Kitano, penso que é fácil fazer um >filme. Que não é necessário ter uma história, só fragmentos e imagens bonitas, que >as pessoas vão carregar o filme nas costas - a cena, em Hana-Bi, em que Kitano, >completamente calado, leva até a mesa um prato de doce para sua esposa e um bolo >com um morango no topo para ele mesmo, e ela rouba seu pedaço de bolo e coloca >apenas um morango no lugar, é tão linda (e tão simples).

    E eh facil mesmo, se for um filme de Kitano. Veja bem, essa historia do morango, ateh em comerciais de televisao aparecem, antes e depois de Hanabi. Estah no imaginario de todos os filmes e novelas japoneses, as demonstracoes de amor nas formas mais sutis. Ozu usava e abusava dessas imagens, fazia muito mais soh com os sorrisos da Setsuko Hara. Mizoguchi, em sua alma “latina” fez o mesmo no final de “Contos da lua depois da chuva”, com a roca de fiar se movendo sozinha. Ateh os filmes do Tora-san sao recheados destes pequenos sacrificios, que soh sao compreendidos depois de que o personagem se foi, ou morreu.
    Eh bonito, sim. Mas nao eh Kitano. Eh o paihs inteiro.

    *VOCÊ PODERIA DAR A EXATA CENA PRO MANOEL CARLOS E SAIRIA NOJENTO. SERÁ O PAÍS?*

    >De alguma forma, Takeshi Kitano e Lars Von Trier tem um conteúdo ligeiramente >semelhante - o sacrifício que alguém comete por outra pessoa. A diferença é que >Lars Von Trier o faz de modo apelativo e nojento. Takeshi Kitano realmente acredita >que o sacrifício é natural e, apesar do que exibe, não-violento. É maravilhoso.

    Nao, nao. Como eu disse, eh o cinema japones, esse sacrificio. Sacrificio eh onde a raison-d’etre da estetica japonesa se expressa. Vou te mandar uma lista, eventualmente Em Hanabi, Kitano apenas mistura essa heranca com os filmes de yakuza que ele copia dos Chanbara Eiga. Nada de mal. O Tarantino tambem copia os mesmos filmes.

    *O CONCEITO DE “CÓPIA” É DISCUTÍVEL. PRIMEIRO, PORQUE TODO MUNDO COPIA, TODOS OS GRANDES DIRETORES COPIARAM ALGUÉM E OBTIVERAM RESULTADOS MUITO DIFERENTES MESMO ASSIM - COMO JOHN FORD E SERGIO LEONE. SE A ÚNICA COISA NECESSÁRIA PARA SE FAZER UM FILME É COPIAR OUTRO POR QUE NÃO EXISTEM MILHARES DE TARANTINOS? BOM, VOCÊ PODE ME FALAR DE GUY RITCHIE, MAS ELE NÃO É TARANTINO. NINGUÉM É. VOCÊ PODERIA DAR PULP FICTION PRA UMA DÚZIA DE DIRETORES E SEMPRE SERIA DIFERENTE E MELHOR/PIOR. E SE COPIAR É A REGRA DO JOGO POR QUE NÃO COPIAR O MELHOR? SE É DIFÍCIL VER QUE EXISTE PROPRIEDADE NA HABILIDADE PRÓPRIA DO KITANO, PENSE NO GOSTO DELE.*

    >Ao mesmo tempo que parece ser fácil fazer um filme, também parece extremamente >difícil fazer um filme como Kitano - que também é um dos melhore atores do mundo, >mesmo com metade do rosto paralisado, que faz parecer fácil atuar e não é.

    Bom, gosto nao se discute. Eu o prefiro no “Merry Christmas Mr. Lawrence”.

    >Ah, me sinto tão bem quando olho pra Kitano e tenho tanto medo porque ele já está >numa idade relativamente avançada… Li na Wikipedia que a paralização do rosto >dele se deve a um acidente de moto que, mais tarde, ele teria dito ter sido uma >tentativa de suicídio. Comentei com uma amiga, que me perguntou se eu sabia o >motivo dele ter querido morrer. Eu não sei, meu Deus, como ele poderia?

    Depressao. Quimica. Ele eh obsessivo-compulsivo.

    >Também li que enquanto ele se recuperava, ele começou a pintar. Hana-bi exibe >muitas de suas pinturas e não como um pintor exibindo seus trabalhos, querendo >mostrar como ele é sério sobre sua arte, mas como uma criança esperta comparando >formas.
    >Fiquei contente quando reparei que a história do personagem em uma cadeira de >rodas que começa a pintar era a própria história Kitano. Quem teria sido que lhe deu >todo o material de pintura? Quem que lhe incentivou?

    O Kurosawa.

    Brincadeira. Kitano tem fascinacao por pintura faz tempo. Ele tem um programa de TV sobre o assunto. Foi se descobrindo, tambem, o sujeito, pelo visto.


    por @Tokyo — November 21, 2006 @ 3:13 pm


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