The Taste of Tea

Eu, geralmente, assisto filmes já pensando no que vou escrever sobre eles mas não consegui pensar em nada enquanto assistia The Taste of Tea, a não ser que é muito, muito bom e tal.

Tem uma sequência extremamente engraçada em que Tadanobu Asano conta para o sobrinho sobre uma vez em que, quando criança, fez cocô no que ele achava ser um ovo gigante, enterrado pela metade, no meio do mato e passou a ser assombrado pelo fantasma irado de um homem coberto de tatuagens e sangue e com um cocô na cabeça como se fosse um chapéu. 

Procurei pelo youtube pela sequência, mas não existe muitos fragmentos disponíveis. Recomendo que assistam, de qualquer forma. É uma espécie de The Royal Tenenbaums com japoneses.

Me apaixonei pela garotinha que faz Sachiko, ela é tão boa, e pela atriz de olhos grandes e voz rouca que faz Aoi. Devo tentar assistir Naisu no mori: The First Contact e Kamikaze Girls.

Nota breve antes de dormir

Ganhei ótimos DVDs nesse Natal e um deles foi uma edição muito bonita de Azumi. Dei uma olhada rápida de mais ou menos uns quinze minutos antes de desmaiar, e, por enquanto, poderia servir como um ótimo exemplo de como uma trilha sonora pode atrapalhar ou invés de ajudar.

São cenas tocantes e muito bem feitas mas acompanhandas por uma música horrível com um coro de mulheres deprimidas que apenas me distancia e me deixa fria ao invés de me emocionar.

É exatamente o oposto do que Eisenstein fazia. Você tinha toda aquela música tão alta e forte durante toda a cena da escadaria de Odessa, mas o que realmente importava (a mãe carregando o filho, pedindo clemência aos soldados e, então, sendo fuzilada) acontecia em silêncio.

Os momentos mais importantes devem ser em silêncio para não haver distração do que está acontecendo.

É como regra de maquiagem, você não pode carregar nos olhos E na boca.

Aqui estou eu, nesse momento tão importante para os personagens, e não sei se me importo com eles ou se penso na terrível decisão das pessoas envolvidas no filme de usar essas flautas tristes horrorosas. 

Grindhouse

Trailer oficial aqui.

Me perguntei porque Tarantino omitiu Jackie Brown na parte de "dos diretores de" - é uma questão de popularidade ou ele se arrepende de ter feito o filme?

De qualquer forma, mal posso esperar pra assistir.

 

P.S.: "The following preview has been aproved for all audiences" - really? O_O

Casino Royale

Oh, meu Deus, foram corações que apareceram?

Quando eu vi a foto de Daniel Craig, pensei "meu Deus, ele parece um marujo, um, um, um pirata, uma dessas pessoas sujas de sei lá o quê, andando em docas, limpando, sei lá, estibordos, içando velas, falando ‘haaaar’, como ele pode ser James Bond? Jesus!" e, então, comecei a ler sobre os problemas durante as filmagens, os rumores de que ele não sabia dirigir carros manuais, portanto, não dirigiria um Aston Martin mas, não sei, um Honda e pensei, "Deus, isso nunca vai dar certo…"

Aos poucos, todos esses rumores foram desaparecendo e o que ficou foi uma sensação de coolness ao redor do filme, do tipo "sabe, ele é tão errado, ele é tão antítese do Pierce Brosnan, que talvez dê certo". Então, apareceram as primeiras resenhas e os comerciais e os trechos disponíveis… E, lentamente, tudo isso resultou no primeiro filme do 007 que eu REALMENTE quero ver - pelo menos, para falar mal do Daniel Craig.

A primeira coisa que noto é a trilha sonora acompanhando as falas do vilão de acordo com o grau de maldade inserida nas palavras (me lembra The Incredibles) - que brega, que sensacional! 

A animação que apresenta Daniel Craig é tão brega, mas tão brega - um bom-brega, estilizado-brega, ao contrário das apresentações dos filmes com o Pierce Brosnan que eram bregas-bregas - que eu mal posso esperar pelo próximo filme da franchise. O começo do filme é bastante assim, você acha que tem algo errado, mas não, está certo, bastante certo.

"Ele está dirigindo um Ford!? Oh, noes!"… Mas tudo fica bem.

Mesmo com tudo sendo bastante atualizado e personalizado (e violento), é a primeira vez que eu consigo ver um James Bond que pareça ter um passado, que pareça ter emoções, que seja tridimensional. Lá pela primeira hora e meia do filme, percebi que metade da atuação do Daniel Craig se baseia em parecer que não dorme há três dias e lacrimejar, mas, filho da mãe, ele é envolvente e carismático, você se preocupa com ele e, ahm, hm, até sente atração. É incrivelmente tocante. Senti umas lagriminhas nos meus lhos em dado momento - não, não foi no final - e eu não esperava isso, de forma alguma. Até a M parece real e não "olha, Judi Dench fazendo o papel de um homem".

O filme é falso quando precisa ser falso e muito bem real quando precisa ser real. Eu já estava tão envolvida com o filme e com James Bond que quando ele tem a camisa toda suja de sangue por causa de uma briga, depois de ter se arrumado e se olhado com tanto orgulho no espelho, eu senti uma imensa pena (e dor) por ele ter de se limpar e se trocar novamente. 

Existem coisinhas muito inteligentes, como não darem nenhuma fala ao marido de M quando ela é acordada pelo telefone no meio da madrugada - em qualquer outro filme, a esposa ou marido acordaria por um momento e diria "quem está telefonando a essa hora?" ou, pelo menos, considerando a rotina dela, um "hmmm de novo, não". O agente que implanta um chip em James Bond também não é obrigado a dizer nada. Qualquer roteirista comum teria trecos, "como assim, eles não são pessoas, eles não dizem nada?", não, eles não dizem nada, muitas pessoas não dizem nada. Eu não digo nada, normalmente.

O filme também é engraçado. Durante uma luta no interior de um carro, o vilão dá uma buzinada usando a cabeça do James Bond. Não é tipo de coisa que se espera e, mesmo assim, não chega a desmoralizá-lo como James Bond (ao contrário de Roger Moore vestido de palhaço).

O filme é muito, muito bom e lindo, cada locação é maravilhosa. Em dado momento, entrei em uma mini-depressão: Por que meu namorado não bate o carro tentando se desviar de mim? 

O filme é consideravelmente longo, apesar de não se sentir muito - só recomendo que se vá ao banheiro antes da sessão - e eu me desliguei um pouco justamente na cena mais dramática por causa de uma série de elipses um pouco chatas, mas ao final do filme, eu imaginava (e queria) pelo menos mais meia hora. 

 

Sugestão

Por causa da crise do cinema (alguns culpam a disponibilidade dos filmes em iPod, Inernet, etc.) algumas pessoas estão apostando que a solução pra atrair as pessoas de volta seria relançar alguns clássicos em 3-D. Como, por exemplo, Lord of The Rings em 3-D (que continuaria sendo chato).

Eu estou assistindo A Nightmare on Elm Street Part 2: Freddy´s Revenge, acho sensacional. Imagine a experiência de vê-lo em 3-D? E a reação em público? Seria perfeito.

Eu mudei de idéia

Eu achava que Javier Barden era o anti-Cristo, com Gael Garcia Bernal ficando em segunda posição, mas agora mudei de idéia. Jack Black é o anti-Cristo. Não tem mais graça. Cada dia que passa, o odeio cada vez mais, cada pedacinho adiposo de Jack Black, cada sobrancelha (duas! que afronta! odeio todas aquelas sobrancelhas!).

Jack Black simplesmente segue seu caminho, deslizando pelo cinema, fazendo o mesmo papel e sendo "engraçado", com variados (dois) movimentos de sobrancelhas (pra cima e pra baixo) e franja. Quando cortam ou penteiam o cabelo dele para algum dos filmes horríveis que ele faz, é como se tirassem 50% da personalidade dele (os outros cinquenta, é claro, sobrancelhas), como se ele fosse um Chris Farley careca e magro. Eu não aguento mais.

Vi o trailer de The Holiday e quis vomitar. Primeiro porque colocaram umas três ou quatro cenas da Kate Winslet gargalhando. Nada contra Kate Winslet, mas esse tipo de trailer é odioso. Quero dizer, uma hora e meia, e é isso que resume o filme? Kate Winslet gargalhando o tempo todo? E é um filme de Nancy Meyers que fez grandes piores filmes de todos os tempos, como Something´s Gotta Give e What Women Want. Eu adoraria ver Nancy Meyers sendo morta esmagada por uma pedra gigantesca que foi atirada pelo próprio Jack Black do alto de um precipício. E Jack Black, vestido de Nacho Libre, riria com suas sobrancelhas malvadas, as mãos na cintura, e Kate Winslet, no topo de uma árvore, jogaria uma bigorna nele. E um piano de cauda. E, e, uma baleia. Sim. E Kate Winslet riria por último.

Grindhouse

Death Proof, de Tarantino

 

 Planet Terror, de Robert Rodriguez.

 

Primeiras reações: "Wow", repetidamente e com excitação infantil. 

The Ilusionist

É um pouco difícil não comparar The Ilusionist com The Prestige. Não só porque ambos falam de mágicos, mas porque ambos lidam com lindas assistentes, suicídios dramáticos, pessoas em disfarces e mortes teatrais. Ao mesmo tempo, não há comparação. Ambos são bons, na verdade, muito parecidos, mas também bastante diferentes.

The Ilusionist produz imagens realmente assustadoras enquanto os protagonistas de The Prestige só representam perigo a eles mesmos e às pessoas dentro de seu universo - The Ilusionist vai com você pra casa, por assim dizer. Enquanto isso, The Ilusionist tem sotaque - e vocês sabem o que eu penso sobre sotaques atrapalhando perfomances ao invés de ajudá-las. The Prestige tem Scarlett Johansson e The Ilusionist tem Jessica Biel.

Há uns três meses atrás, uma porção de blogs americanos que acompanho começaram a falar de Jessica Biel ao mesmo tempo e eu nunca entendi porque tudo aquilo, eu nem sabia quem era ela. Agora eu entendo. Ela é ainda mais bonita em movimento do que em fotografias, ela consegue atuar e ela consegue atuar com sotaque. Não digo que Jessica Biel seja, na verdade, o que Scarlett Johansson deve representar pra todo mundo (linda moça, grande atriz) mas ela é, pelo menos, uma atriz (e não totalmente reta e magricela, assim parece, o que é bom, bastante bom).

Eu não sei o que é Scarlett Johansson, só sei que ela não vai ser por muito tempo. A coisa está em declínio, ou, pelo menos, estabilizando.

De diferente forma, o mesmo acontece com Paul Giamatti - ele está estabilizado. Enquanto eu via ele fazendo a atuação clássica de Paul Giamatti, pescoço rígido, olhar de soslaio, eu só desejava que ele fizesse alguém que não se revelasse como uma boa pessoa, apesar do cinismo. Eu queria que ele fosse alguém muito mau. Foi assim que Phillip Seymour Hoffman ganhou o Oscar. Trumam Capote não é alguém muito mau, mas também não se revela como uma boa pessoa, apesar do cinismo. Comparar Paul Giamatti a Phillip Seymour Hoffman é adequado. Ambos são atores que não podem confiar em beleza ou juventude e fazem de tudo. Acho que os dois tem mais ou menos o mesmo talento, talvez, um tenha um pouco mais do que o outro, mas Paul Giamatti definitivamente precisa de um vilão.

Edward Norton está bem. Eu acho que o corpo dele finalmente encontrou o habitát natural: Roupas de época. Ele fica franzino demais com roupas normais, ele precisa dos casacões e fica muito elegante neles.

The Ilusionist é bastante literário, ele cumpre cenas da forma que elas foram concebidas, escritas, mas que não ficam muito bem quando executadas - um terceiro "Sophie"? Acha bom mesmo repetir?  

Algumas coisas me irritavam momentaneamente, como o flashback do início do filme me irritou um pouco, mas só um pouco - acho que acabei envolvida na história, mas isso não é ruim.

Tudo é bem feitinho e eu simplesmente aprovo que estejam fazendo filmes assim, com universos próprios, roupas e cenários lindos, voltados para ficção, magia e puro entretenimento. Seja com The Prestige ou The Ilusionist, eu só espero que façam mais, que esqueçam Fast Food Nation, An Inconvenient Truth, esse tipo de coisa que não pertence ao cinema. 

Lá pela terceira parte do filme, as coisas ficam bastante previsíveis e o "trailer" final é uma solução meio boba, mas eu já estou contente.

 

*

Obrigada, Ulisses, pela pré-estréia. 

Tenho vergonha de mencionar o nome do filme

No futuro, vai ser lei que todo filme inclua pelo menos dois dos elementos abaixo:

 

- Uma latina woman que não aceita pouco de ninguém

- Uma/um sassy black woman/ man que complementa as falas do personagem branco principal com "damn" ou "vou precisar de um drink mais forte que esse".

- O amigo gay e promíscuo da personagem branca principal que comenta sobre depilação e sapatos.

- Uma mulher que aparece sempre com o amigo gay da personagem branca principal, não sei porquê.

 

Se você conseguir reunir duas ou mais dessas características em um personagem só, digamos, a sassy black gay man, você ganharia dedução de imposto. Incentivos fiscais caso você escale um asiático para andar com o gay e a mulher que acompanha o gay.

 

E, claro, epifanias. As pessoas magicamente param de beber, param de ser pedófilas, param de implicar com as noras e tal.