The Ilusionist
É um pouco difícil não comparar The Ilusionist com The Prestige. Não só porque ambos falam de mágicos, mas porque ambos lidam com lindas assistentes, suicídios dramáticos, pessoas em disfarces e mortes teatrais. Ao mesmo tempo, não há comparação. Ambos são bons, na verdade, muito parecidos, mas também bastante diferentes.
The Ilusionist produz imagens realmente assustadoras enquanto os protagonistas de The Prestige só representam perigo a eles mesmos e às pessoas dentro de seu universo - The Ilusionist vai com você pra casa, por assim dizer. Enquanto isso, The Ilusionist tem sotaque - e vocês sabem o que eu penso sobre sotaques atrapalhando perfomances ao invés de ajudá-las. The Prestige tem Scarlett Johansson e The Ilusionist tem Jessica Biel.
Há uns três meses atrás, uma porção de blogs americanos que acompanho começaram a falar de Jessica Biel ao mesmo tempo e eu nunca entendi porque tudo aquilo, eu nem sabia quem era ela. Agora eu entendo. Ela é ainda mais bonita em movimento do que em fotografias, ela consegue atuar e ela consegue atuar com sotaque. Não digo que Jessica Biel seja, na verdade, o que Scarlett Johansson deve representar pra todo mundo (linda moça, grande atriz) mas ela é, pelo menos, uma atriz (e não totalmente reta e magricela, assim parece, o que é bom, bastante bom).
Eu não sei o que é Scarlett Johansson, só sei que ela não vai ser por muito tempo. A coisa está em declínio, ou, pelo menos, estabilizando.
De diferente forma, o mesmo acontece com Paul Giamatti - ele está estabilizado. Enquanto eu via ele fazendo a atuação clássica de Paul Giamatti, pescoço rígido, olhar de soslaio, eu só desejava que ele fizesse alguém que não se revelasse como uma boa pessoa, apesar do cinismo. Eu queria que ele fosse alguém muito mau. Foi assim que Phillip Seymour Hoffman ganhou o Oscar. Trumam Capote não é alguém muito mau, mas também não se revela como uma boa pessoa, apesar do cinismo. Comparar Paul Giamatti a Phillip Seymour Hoffman é adequado. Ambos são atores que não podem confiar em beleza ou juventude e fazem de tudo. Acho que os dois tem mais ou menos o mesmo talento, talvez, um tenha um pouco mais do que o outro, mas Paul Giamatti definitivamente precisa de um vilão.
Edward Norton está bem. Eu acho que o corpo dele finalmente encontrou o habitát natural: Roupas de época. Ele fica franzino demais com roupas normais, ele precisa dos casacões e fica muito elegante neles.
The Ilusionist é bastante literário, ele cumpre cenas da forma que elas foram concebidas, escritas, mas que não ficam muito bem quando executadas - um terceiro "Sophie"? Acha bom mesmo repetir?
Algumas coisas me irritavam momentaneamente, como o flashback do início do filme me irritou um pouco, mas só um pouco - acho que acabei envolvida na história, mas isso não é ruim.
Tudo é bem feitinho e eu simplesmente aprovo que estejam fazendo filmes assim, com universos próprios, roupas e cenários lindos, voltados para ficção, magia e puro entretenimento. Seja com The Prestige ou The Ilusionist, eu só espero que façam mais, que esqueçam Fast Food Nation, An Inconvenient Truth, esse tipo de coisa que não pertence ao cinema.
Lá pela terceira parte do filme, as coisas ficam bastante previsíveis e o "trailer" final é uma solução meio boba, mas eu já estou contente.
*
Obrigada, Ulisses, pela pré-estréia.
O melhor de tudo foi o Issao com seu texto sensacional e seus banners raiogamísticos.
Mas eu também gostei do filme. Só duas coisas:
Giamatti já fez um vilão, em Big Fat Liar. Ele até cai na piscina e fica azul. =]
Outra, embora a solução seja previsível e tudo, foi a cena cena em que Giamatti foi melhor, com aquela risada incrível.
***RESPOSTA***: Eu vi o trailer de Big Fat Liar e em todas as cenas que o Giamatti aparecia (azul) eu sentia que ele estava pensando “as coisas que eu faço por dinheiro…”. Não é Capote, vá.
Já tô acostumada com o sorriso insano dele. Ele fez isso VÁRIAS vezes em American Splendor.
por ulisses — December 6, 2006 @ 1:14 pm