Casino Royale

Oh, meu Deus, foram corações que apareceram?

Quando eu vi a foto de Daniel Craig, pensei "meu Deus, ele parece um marujo, um, um, um pirata, uma dessas pessoas sujas de sei lá o quê, andando em docas, limpando, sei lá, estibordos, içando velas, falando ‘haaaar’, como ele pode ser James Bond? Jesus!" e, então, comecei a ler sobre os problemas durante as filmagens, os rumores de que ele não sabia dirigir carros manuais, portanto, não dirigiria um Aston Martin mas, não sei, um Honda e pensei, "Deus, isso nunca vai dar certo…"

Aos poucos, todos esses rumores foram desaparecendo e o que ficou foi uma sensação de coolness ao redor do filme, do tipo "sabe, ele é tão errado, ele é tão antítese do Pierce Brosnan, que talvez dê certo". Então, apareceram as primeiras resenhas e os comerciais e os trechos disponíveis… E, lentamente, tudo isso resultou no primeiro filme do 007 que eu REALMENTE quero ver - pelo menos, para falar mal do Daniel Craig.

A primeira coisa que noto é a trilha sonora acompanhando as falas do vilão de acordo com o grau de maldade inserida nas palavras (me lembra The Incredibles) - que brega, que sensacional! 

A animação que apresenta Daniel Craig é tão brega, mas tão brega - um bom-brega, estilizado-brega, ao contrário das apresentações dos filmes com o Pierce Brosnan que eram bregas-bregas - que eu mal posso esperar pelo próximo filme da franchise. O começo do filme é bastante assim, você acha que tem algo errado, mas não, está certo, bastante certo.

"Ele está dirigindo um Ford!? Oh, noes!"… Mas tudo fica bem.

Mesmo com tudo sendo bastante atualizado e personalizado (e violento), é a primeira vez que eu consigo ver um James Bond que pareça ter um passado, que pareça ter emoções, que seja tridimensional. Lá pela primeira hora e meia do filme, percebi que metade da atuação do Daniel Craig se baseia em parecer que não dorme há três dias e lacrimejar, mas, filho da mãe, ele é envolvente e carismático, você se preocupa com ele e, ahm, hm, até sente atração. É incrivelmente tocante. Senti umas lagriminhas nos meus lhos em dado momento - não, não foi no final - e eu não esperava isso, de forma alguma. Até a M parece real e não "olha, Judi Dench fazendo o papel de um homem".

O filme é falso quando precisa ser falso e muito bem real quando precisa ser real. Eu já estava tão envolvida com o filme e com James Bond que quando ele tem a camisa toda suja de sangue por causa de uma briga, depois de ter se arrumado e se olhado com tanto orgulho no espelho, eu senti uma imensa pena (e dor) por ele ter de se limpar e se trocar novamente. 

Existem coisinhas muito inteligentes, como não darem nenhuma fala ao marido de M quando ela é acordada pelo telefone no meio da madrugada - em qualquer outro filme, a esposa ou marido acordaria por um momento e diria "quem está telefonando a essa hora?" ou, pelo menos, considerando a rotina dela, um "hmmm de novo, não". O agente que implanta um chip em James Bond também não é obrigado a dizer nada. Qualquer roteirista comum teria trecos, "como assim, eles não são pessoas, eles não dizem nada?", não, eles não dizem nada, muitas pessoas não dizem nada. Eu não digo nada, normalmente.

O filme também é engraçado. Durante uma luta no interior de um carro, o vilão dá uma buzinada usando a cabeça do James Bond. Não é tipo de coisa que se espera e, mesmo assim, não chega a desmoralizá-lo como James Bond (ao contrário de Roger Moore vestido de palhaço).

O filme é muito, muito bom e lindo, cada locação é maravilhosa. Em dado momento, entrei em uma mini-depressão: Por que meu namorado não bate o carro tentando se desviar de mim? 

O filme é consideravelmente longo, apesar de não se sentir muito - só recomendo que se vá ao banheiro antes da sessão - e eu me desliguei um pouco justamente na cena mais dramática por causa de uma série de elipses um pouco chatas, mas ao final do filme, eu imaginava (e queria) pelo menos mais meia hora. 

 

3 Comentários »



  1. Eu avisei.
    =]


    por ulisses — December 21, 2006 @ 2:24 am


  2. Oh, eu concordei tanto, tanto! Desde que vi esse filme, estou querendo ver de novo. Eu saí do cinema com a boca aberta, passada de finalmente ver um James Bond que parece mesmo um assassino profissional. E olha, Pierce Brosnan é tipo 8 vezes mais bonito que o Daniel Craig. Mas Daniel Craig é 10 vezes melhor ator. E Eva Green, nossa!

    Admito, sabe do que eu gostei? Gostei do fato da câmera objetificar o corpo desse Bond. Acho que isso não tinha sido feito ainda, eram sempre bond girls de biquíni. Eu aprovei!


    por Alessandra — December 21, 2006 @ 1:40 pm


  3. aha eu disse eu disse. primeiro os piratas, depois isso. told you so.


    por Janaina — December 22, 2006 @ 10:17 pm


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