Apocalypto
Wes Anderson ou Jim Jarmusch não devem ganhar um Oscar. Vincent Gallo, definitivamente não deve ganhar um Oscar. Não quero dizer que eles não vão ou não merecem nunca ganhar, eles não devem, não faria bem algum. Eles devem continuar alternativos e indies e hipsters, eles devem continuar a escolher pequenas histórias de quase nenhum interesse comercial e simplesmente fazer o que ninguém mais faz.
Por mais que Broken Flowers seja um filme querido, ele jamais deveria ganhar um Oscar. Seria uma anomalia. Não que Crash mereça, mas, enfim, não quero voltar a falar disso.
Um filme merece um Oscar quando é capaz de ser visto por muita, muita gente e surpreendentemente ainda ter alguma qualidade. Precisa ser grande, uma grande história com grandes personagens e grandes atuações e grandes momentos. Precisa ser um clássico.
Os últimos, não sei, quatro ou cinco filmes premiados pelo Oscar não são clássicos. Tanto que nem me lembro deles. Chicago?
Obviamente, alguma coisa deu errado com os Oscars. Todo ano, o melhor filme vai ficando pior e pior e pior e nada memorável, chegando ao ponto de ser completamente inassistível. Se, em algum universo paralelo completamente livre de Oliver Stone, os Oscars tivessem se mantido consistentes por todo esse tempo, uma boa evolução do que o prêmio realmente deveria representar hoje seria Apocalypto.
Sim, é bastante violento e, nesse sentido, um pouco alternativo demais pra um Oscar - que não vai ganhar mesmo já que nem foi indicado e jamais seria depois do ataque todo de anti-semitismo bêbado - mas é preciso evoluir um pouquinho, não?
Apocalypto é gigantesco. Senti vertigem do topo daquelas pirâmides e algumas das imagens são feitas de puro pesadelo. Mesmo assim, é uma história nobre e grandiosa, perfeita para um Oscar másculo e não pussy.
Além disso, você tem areia movediça. Falta areia movediça no cinema, de verdade. Pararam de filmar pessoas afundando em areia movediça sendo milagrosamente salvas por cipós - ah, sempre os cipós - para mostrar problemas sociais não sei pra quê. Qualquer areia movediça besta é mais artística e cheia de significado intelectual e metafísico do que um punhado de pobre bem pobrezinho.
Faz tempo que eu não me importava tanto com um protagonista e, o mais sensacional, é que trata-se de um protagonista que não me fornece o mínimo de possibilidade para eu me identificar com ele, de qualquer forma. Ele não está exatamente passando por algo que eu vivenciei, não somos remotamente parecidos. Eu nunca vi nenhum daqueles atores antes na minha vida, eu não entendo o que eles dizem, não há razão alguma para eu sentir simpatia e, mesmo assim, acontece - não é legal?
Eu sou completamente a favor de quase tudo que é improvável. Apocalypto, como idéia para um filme, é improvável e, não só isso, é bom.
Mel Gibson ganhar qualquer prêmio daqui pra frente é bastante improvável.
Oi. Gostei muito do seu blog e dos seus textos, muito bem escritos.
por Leandro Caraça — January 28, 2007 @ 7:11 pm
Putz grila, você escreve que nem homem. Boring.
RESPOSTA: Você me elogiou e nem percebeu. haha
por apolinário — January 30, 2007 @ 3:06 am
E foi mesmo um elogio. ahaha.
O boring é mulher-homem ou vice-versa. Nem talento para ser homem, nem beleza de mulher.
Não é nem uma coisa, nem outra.
Veja o seu caso: só responde às críticas, e faz de conta que ignora os elogios. O comentário do Leandro aí de cima, não recebeu nenhum “obrigada, cachorro”. Coisinha de mulher.
por apolinário — February 1, 2007 @ 6:30 pm
e que índio bonito, bah.
por rodrigo de lemos — February 2, 2007 @ 8:23 pm
Gostei do filme.
por Marcelo V. — February 9, 2007 @ 7:01 pm